Guerreiros de Roma: Rei dos Reis – Harry Sidebottom

guerreirosderoma.jpgEsperava muito desse livro tendo em vista o quão incrível o volume anterior tinha sido. “Guerreiros de Roma: Fogo no Leste” fora uma grata surpresa, não apenas pela trama bem desenvolvida e pela pesquisa histórica primorosa, mas, sobretudo, pela rara chance de aproveitar alguma obra que fale de Roma em seus anos de declínio. Foi um livro incrível, mas que demorou um pouco a engrenar, contudo este “Guerreiros de Roma: Rei dos Reis” foi uma decepção proporcional ao encanto do anterior, e se Fogo no Leste foi esquentando aos poucos este peca justamente por em momento algum conseguir ser algo que não seja, na melhor das hipóteses, tépido.

A trama segue os resultados do fracasso de Balista em defender Arete das forças do exercito sassânida. Ao retornar à Antioquia, o guerreiro anglo-romano logo se vê como alvo do desapreço de parte da elite romana, colecionando mais alguns inimigos poderosos enquanto cai em descrédito com o cada vez mais sugestionável imperador Valeriano. Envolvido em tramas políticas e conspirações contra a sua vida Balista deve rumar para Éfeso e provar sua lealdade ao Império, enquanto o exército de Sapor, o “Rei dos Reis”, segue avançando e ameaçando as forças e cidades romanas no oriente.

Enquanto o antecessor seguia uma linha mais bem delineada ao contar uma história de cerco, preparando aos poucos o terreno e culminando na defesa da cidade de Arete, neste o autor infelizmente se dispersa entre pequenas tramas que, ou não são bem aproveitadas, não dão em nada ou são estão lá como preparação para continuações vindouras.

A todo o momento surge alguma coisa nova, mas que logo se dilui em algo sem importância, sejam ameaças de assassinato, conspirações políticas ou pequenas batalhas que não atendem as expectativas criadas. As próprias tramas políticas que deveriam ser o cerne do livro perdem força por Balista não tomar parte ou ter um papel mais atuante dentro dessas intrigas.

A questão religiosa que parecia ter também alguma influência no enredo não é desenvolvida adequadamente e parece apenas estar lá para constar na história, mais um elemento para preencher o livro, mas que não acarreta em nada de realmente relevante para o andamento da trama.

Foi uma decepção de fato, mas o livro não foi de todo o ruim, o período histórico em que a história se passa, conhecido como a “crise do terceiro século”, é recheado de outras tantas conspirações e rebeliões que se bem exploradas podem render outros ótimos livros. Faltou foco para seguir uma direção mais objetiva e não ficar andando em círculos até chegar a algo realmente interessante apenas em suas páginas finais. Saber o que cortar é tão importante quanto saber o que escrever, e nesse livro boa parte poderia ficar de fora sem prejuízo algum para a história em si.

Dito tudo isso ainda dou um voto de confiança à série, realmente gostaria de acompanhar mais pra ver o que vai vir a seguir, ainda mais pelo epílogo que teve.

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