Autoridade (Comando Sul Vol. 2) – Jeff VanderMeer

AutoridadeQuando li “Aniquilação”, o primeiro volume dessa trilogia, fiquei com sentimentos mistos em relação a essa história. A ambientação soberba que Jeff VanderMeer  apresentou com cenários de natureza surreal e criaturas lovecraftianas que desafiam a compreensão humana aliado a esse mistério em torno da Área X me agradaram bastante, contudo, talvez na mesma medida, fiquei absolutamente decepcionado com os personagens, quase nulos em desenvolvimento e carisma.

Sei que tudo é intencional, o autor quis propositadamente deixar os leitores confusos, incomodados por adentrarem um território desconhecido e salientar essa desconexão com a realidade, porém essa é uma faca de dois gumes, e esse distanciamento pode facilmente se desligar de algo novo e intrigante e se transformar em algo simplesmente tedioso e apático. Infelizmente esse foi o caso de “Autoridade”.

O segundo livro da trilogia Comando Sul nos apresenta um novo protagonista, John Rodriguez, conhecido como “Controle” Ele é o novo diretor apontado pela Central para o Comando Sul, tendo em vista que a diretora anterior desapareceu na última expedição enviada à Área X, sendo a única da equipe que não retornou da missão. Controle fica responsável tanto pela investigação desse desaparecimento, quanto por entrevistar a “Bióloga’, que, diferente das outras, parece ainda reter alguma lembrança referente ao tempo que passou além da fronteira.

Frustrante é a palavra que melhor define esse livro. “Autoridade” enfatiza e amplifica tudo o que eu justamente não gostei em “Aniquilação” com o defeito ainda maior de diluir toda aquela atmosfera exótica e enigmática em uma narrativa arrastada e entediante. O livro em momento algum consegue engatar uma sequência de eventos que despertem um interesse real para o leitor, ao invés disso entrega elementos que se revelam pouco produtivos dentro do andamento da trama. A trama se dissolve perdida em pequenas coisas que não são propriamente, ou até minimamente, desenvolvidas e que não levam a absolutamente lugar algum e não agregam em nada a história. É uma confusão no pior sentido da palavra.

A atmosfera surreal do livro anterior é somente vista em raros momentos, principalmente no final, mas que não consegue sustentar todo o resto e que por fim também acaba se diluindo em algo mais apático e desinteressante por conta de toda essa enrolação desnecessária que mata qualquer tentativa de clímax. É uma pena perder isso tendo em troca um ambiente pouco convidativo com suas rotinas burocráticas contraprodutivas e maquinações enfadonhas, tudo guiado por personagens esquecíveis e pouco interessantes, como quase tudo que possa ser dito desse livro.

Não é um livro pra qualquer pessoa. Tedioso, pouco satisfatório em questão de resoluções ou mesmo em agregar algo a história de maneira geral, e muito pouco recompensador pelo que entrega.

Eu penso seriamente se vale mesmo a pena parar por aqui mesmo e evitar mais decepções como essa ou se devo insistir no último volume, nem que seja pela sensação de não deixar algo incompleto tão perto do final, ou ter uma surpresa positiva de algo mais próximo do primeiro livro. Não sei mesmo, por ora, fico mais inclinado à primeira opção.

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