Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda – Howard Pyle

rei_arthurPoucos são aqueles que não conhecem a figura do rei Arthur. Popular desde a Idade Média, as histórias que orbitavam o lendário líder britânico são um amálgama entre mitos, obras literárias fantasiosas e até mesmo a possibilidade de uma inspiração em uma real personalidade histórica. Não é de se estranhar que suas histórias, os temas abordados, os personagens que o acompanham e sua própria imagem varie tanto.

De um líder militar que combateu os saxões na Bretanha pós-romana, até o rei nobre que criou o mais justo dos reinos na Terra, muitas foram as suas representações ao longo dos anos, mas o que não mudou foi o fascínio que sua lenda exerce sobre as pessoas, e foi justamente essa representação mais romanceada de um rei glorioso que o escritor e ilustrador americano Howard Pyle tomou como base neste livro.

Esse é um ponto fundamental a se destacar do livro, ele bebe muito dessas fontes que seguem o modelo dos romances medievais de cavalaria que buscavam a personificação do cavaleiro virtuoso, justo, cortês e corajoso. Esses romances e seus valores morais voltaram a fazer bastante sucesso durante o século XIX com o movimento do Romantismo. Esta é, portanto, uma releitura mais idealizada da cristianizada do mito.

Vale destacar também que esta é uma história cuja narrativa é mais puxada pra literatura infanto-juvenil, o que deixa o livro com uma linguagem mais simples, chegando até mesmo a ser um pouco repetitivo, como, por exemplo, ao se resolver todo tipo de problemas através de justas e no próprio desenrolar desses embates. Obviamente, isso o torna mais previsível e com personagens mais planos, até mesmo por essa visão da época que buscava resgatar os valores morais da cavalaria e pelo fascínio por uma natureza idílica, por vezes mágica, em oposição à Revolução Industrial e a vida urbana, o que naturalmente levava a uma busca pelo ideal e pelo sublime, de modo que não há muito espaço para um desenvolvimento maior ou camadas de complexidade dentro da trama.

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Uma das ilustrações de Howard Pyle

O livro em si passa por uma série de histórias que acompanham Arthur desde o seu nascimento e transcorrem por episódios bem conhecidos de sua vida, como quando ele se tornou rei ao retirar a espada da bigorna, com ele conseguiu Excalibur, o embate contra o cavaleiro negro, a formação da Távola Redonda e algumas aventuras suas e de seus companheiros. As ilustrações de Pyle são muito boas e conversam muito bem com o tom da história, além do livro ter um prefácio excelente que entrega ao leitor um ótimo contexto da vida do autor e da própria “matéria da Bretanha” que é essa colcha de retalhos com vários elementos de diversas culturas e povos distintos.

Quem quer uma trama mais intricada ou um cenário mais historicamente acurado talvez se decepcione um pouco, já que hoje em dia esse tipo de versão mais romantizada com toda essa pompa em torno de cavaleiros nobres em armaduras brilhantes em busca de aventuras para provar a sua honra talvez não chame tanto a atenção dos leitores modernos, vivemos em outros tempos afinal de contas, mas eu confesso que gostei bastante, e talvez justamente pela sua simplicidade e por seguir por esse modelo mais tradicional Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda seja uma boa forma de se ter um primeiro contado com as lendas arturianas.

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