Caminho Das Sombras (Anjo da Noite Vol.1) – Brent Weeks

Caminho_das_Sombras.jpgCaminho das Sombras é o primeiro volume da série “Anjo da Noite”, e o livro de estreia do americano Brent Weeks; isso é algo que quero destacar de início. Geralmente o primeiro trabalho de um autor é cheio de altos e baixos, o que me faz relevar muita coisa e ter um limite de tolerância maior para certos clichês, para o ritmo e para o próprio estilo de escrita que ainda estão se desenvolvendo, contudo não achei que seria esse o caso por conta dos vários elogios que vi por aí sobre o livro e fui animado conferir se de fato era isso tudo mesmo. Pois bem, não era.

A história gira em torno de Azoth, um garoto que tenta sobreviver as privações e os riscos da vida de ladrão no bairro mais miserável da já bem empobrecida cidade de Cenária. Entre as preocupações mais cotidianas, como a fome e as surras quase diárias, Azoth acaba por encontrar um perigo maior ao entrar na mira do segundo em comando da guilda a qual ele pertence, o abusivo Rato.

A vida de Azoth começa a mudar quando ele conhece Durzo Blint, o melhor “derramador” de Cenária, uma espécie de assassino de elite capaz de usar um tipo de magia conhecida como “Talento”, que meio a contragosto aceita o garoto como um aprendiz. Azoth deve enterrar de vez a sua antiga vida e assumir uma nova identidade como o filho de uma distante família nobre, adotando o nome de Kylar Stern, dividindo-se entre as lições de assassinato e política, vivendo uma vida dupla enquanto tenta despertar seu talento para se tornar um derramador de fato.

Não tive uma boa experiência com o livro, cheguei a deixar ele de lado por algum tempo e retomar depois com mais ânimo, mas não adiantou muito. A essência da história em si é bem clichê e segue os já muito conhecidos padrões do típico protagonista de ficção fantástica, o que por si só não é algo necessariamente ruim, visto que muitos elementos se repetem tanto em diversas outras narrativas que praticamente acabam se tornando intrínsecos a determinados gêneros, fora que isso também é até normal para um primeiro trabalho, contudo a soma desse ponto com outros fatores foi o bastante para deixar a coisa toda um tanto quanto desinteressante e cansativa.

O autor até tenta dar um clima mais sombrio para a história, tocando em temas mais pesados, mas que acaba não passando essa impressão de fato e, como tudo o mais no livro, é irregular, pulando de algo mais sinistro para momentos mais amenos que não combinam muito com esse universo inicialmente apresentado. Outro problema é que tudo acontece bem rápido e sem emoção, não senti uma sensação real de perigo ou tive qualquer apego por algum personagem, muitos dos quais são apresentados bruscamente, quase jogados, deixando a história confusa em certos momentos, ainda mais quando as coisas iam acontecendo meio atropeladas.

Falando dos personagens eu esperava que eles fugissem um pouco do lugar-comum e seguissem mais na linha atual de figuras mais imprevisíveis e mais complexas moralmente, porém em sua maioria são bem rasos e sem muito carisma, e quanto ao desenvolvimento ou mudam conforme a trama exige ou estão presos a uma personalidade ou característica única, principalmente no núcleo aristocrático da história.

O estilo da escrita é até agradável em certos momentos, mas se perde em outros, ou por tentar florear demais ou por deixar meio bobo com alguns diálogos um tanto quanto artificiais demais, no melhor estilo novela das oito, mas ainda assim tem os seus momentos e não chegou a me desagradar de todo.

Passei algum tempo pensando se deveria fazer ou não alguma resenha sobre este livro, já que não gostei muito de Caminho das Sombras, creio eu que provavelmente essa seja a primeira resenha que tenho mais a falar negativamente do que ressaltar os pontos positivos, mas até essas opiniões desfavoráveis tem o seu valor.

O livro não brilha por originalidade, pela escrita ou pelos personagens, e no meio de tantas outras histórias do gênero acaba ficando meio apagado. A história é meio corrida e carece de um desenvolvimento maior para mostrar uma evolução mais crível dos personagens e preparar melhor o terreno para os desdobramentos da trama política e da própria composição da trama, do que focar mais no cenário e na magia, uma das poucas coisas que até gostei. Apesar disso tudo acho que a história tem algum potencial e pode melhorar bastante se o autor conseguir corrigir esses pontos, algo que a própria experiência trata de sanar naturalmente, mas sendo sincero não tenho tanta vontade assim de dar uma segunda chance para a série e ler a continuação, pelo menos não por enquanto.

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