Os Senhores do Arco ( O Conquistador Vol.2) – Conn Iggulden

Os_senhores_do_arcoO Império mongol foi um dos maiores que o mundo já viu, sendo o maior em extensão territorial em questão de terras contínuas e o segundo maior em extensão territorial total – ele possuía 33 milhões de km², perdendo apenas para o Império Britânico com 33,7 milhões de km²-, e a exemplo de Alexandre, o Grande, boa parte dele conquistada sob a liderança de um só homem, Gêngis Khan. Não à toa essa figura histórica é um prato cheio para qualquer autor possa se inspirar parcialmente ou mesmo contar os fatos da movimentada vida desse que se tornou uma das pessoas mais temidas da época e que pôs boa parte do mundo sob seus pés. 

Os Senhores do Arco é o segundo livro da série “O Conquistador” do escritor britânico Conn Iggulden e segue com os eventos de O Lobo Das Planícies, o primeiro volume dessa série. De largado a própria sorte com sua família para perecer, até ser o líder e maior general mongol que conseguiu unir a nação que antes era dividia por disputas e rixas antigas entre as diversas tribos, Temujin, posteriormente conhecido como Gêngis Khan, trilhou um longo caminho marcado por sangue que fará o mundo tremer ao ouvirem suas hordas cavalgando em direção a conquista, e neste livro o inimigo comum que ele usou para unir o seu povo em torno de uma mesma causa começa a ser de fato enfrentado pelo povo mongol sob a sua liderança. Gêngis leva seu povo até as terras chinesas, que na época eram divididas entre os Impérios Xixia, Jin e Sung, sendo os dois primeiros destes os alvos de Gêngis.

Mongol_Filme.jpg

Cena de “O Guerreiro Genghis Khan”, filme de 2007

Algo interessante é a diferença entre os povos, com os mongóis criados em uma vida de luta constante sob as leis do mais forte, com toda a sua cultura voltada para a guerra e à sobrevivência e os cultos Jin, com toda a sua rica e refinada cultura, que desprezavam e temiam os mongóis, aos quais achavam bárbaros incivilizados.

Essa diferença entre dois mundos diferentes é muito bem explorada e deixando de forma bem clara a visão cada um desses povos, de modo que não deixe algo pendente para uma perspectiva única ou anacrônica, sem que fique um espaço muito grande para julgar os métodos impiedosos dos mongóis sob a nossa ótica de uma sociedade que não vive nessa realidade mais crua formada de provações constantes que exigiam força, poder e até crueldade, um povo que foi oprimido pelos seus iguais, pelos seus inimigos e até pela própria terra que exigia o limite do ser humano, ao mesmo tempo em que também consegue dar a visão oposta dos Jins, que viam seus inimigos como uma horda de bárbaros que poderiam dar fim à civilização conhecida, levando o mundo para um estado de caos. Vale ressaltar que mais tarde a própria cultura deles seria assimilada em partes pelos mongóis, principalmente pelo neto de Gêngis, Kublai Khan, que conhecidamente admirava a cultura desse povo.

Em se tratando das batalhas, neste livro elas começam a tomar rumos mais épicos, com direito a embates mais sangrentos e grandiosos contra inúmeros inimigos, vencidos pela estratégia e pela ferocidade e impiedosidade do grande Khan. As lutas contra os Xixia são de encher os olhos, descritas de uma forma quase cinematográfica, com destaque para a batalha do desfiladeiro da Boca do Texugo, que é considerada uma das maiores vitórias de Gêngis.

mongol

Geralmente era nesse momento que os inimigos se borravam

Apesar da magnífica forma com que as batalhas são narradas, vívidas de tão bem descritas, o que realmente considero como grande qualidade do Conn Iggulden é a toda a ambientação que ele cria sendo capaz de passar todo o clima da época, principalmente com pequenos detalhes do cotidiano dos povos descritos que ajudam a melhor visualizar com clareza a vida na época.

Um líder capaz de transformar tribos inimigas em uma só nação capaz de se estender para além dos limites do mar de capim e um general capaz de criar de um exército com o poder de sobrepujar seus inimigos.Traições, vingança e batalhas épicas, uma história que por si só já tem de tudo, mas que consegue ficar ainda mais afiada com a ajuda da escrita do Iggulden. Um livro que certamente vai agradar até aqueles fãs mais exigentes do gênero, e que inevitavelmente vai despertar o interesse pela cultura e história desse povo e do pai da nação mongol.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s