O Dragão Renascido (A Roda do Tempo Vol.3) – Robert Jordan

O_Dragão_RenascidoE chegamos ao terceiro volume da série de livros de fantasia épica A Roda do Tempo, escrita pelo autor americano Robert Jordan e finalizada em 14 volumes. Devo dizer que estava com as expectativas altas em relação a esse livro após a leitura de O Olho do Mundo e A Grande Caçada (o primeiro e o segundo volume, respectivamente) dado forma primorosa com que a história foi ganhando corpo e evoluindo página a página, o que faz com que qualquer um perceba que essa de fato é uma série que faz jus as inúmeras críticas positivas que a colocam como uma das maiores e mais célebres séries de fantasia do mundo.

Em O Dragão Renascido vemos os desdobramentos dos eventos finais do volume anterior, com Rand, agora proclamado como o Dragão Renascido por Moirane, opondo-se a ideia de ser realmente a pessoa a qual as profecias apontam que lutará contra a Sombra. Rand acaba ficando cada vez mais melancólico e angustiado com a possibilidade de enlouquecer pela mácula de saidin, além do próprio peso e responsabilidade do título e do destino que carrega. Perrin, assim como Rand, também se sente oprimido pelas mudanças que sofreu desde que saiu de Dois Rios, preocupado em perder o controle e se deixar levar pelo seu lado lobo e perder o seu lado humano, além das visões enigmáticas que Min teve de seu futuro.

Não suportando o peso que recaí em si e temendo ferir seus amigos ao não conseguir controlar a canalização do Poder Único Rand foge, se sentindo atraído para a Pedra de Tear, onde estava Callandor, A Espada Que Não Pode Ser Tocada, um objeto extremamente poderoso e que só poderia ser empunhada pelo Dragão, sendo um dos sinais apontados nas profecias que o Dragão renasceu de fato e que Tarmon Gaidon, a Última Batalha, se aproxima. Perrin, Moirane, Lan e Loial vão atrás do rapaz, que corre perigo ao ser perseguido pelas forças do Tenebroso que querem se apoderar do objeto, e seus caminhos também acabam sendo traçados até Tear.

Entrementes, Nynaeve, Egwene e Elayne seguem para Tar Valon, único lugar onde Mat pode ser curado do vínculo com a adaga encontrada em Shadar Logoth, para salvar a vida do rapaz. Uma vez na Torre Branca as três recebem da Amyrlin a missão de investigar em segredo os passos da Ajah Negra, já que a existência dessa Ajah dentro da Torre ainda permaneça um grande tabu para muitas Aes Sedai, apesar de tudo levar a crer que elas realmente tem agido dentro da Torre Branca, principalmente após a fuga de Liandrin com outras doze Aes Sedai. Antes de fugirem, as Aes Sedai que servem o Tenebroso roubaram diversos ter’angreal, objetos criados durante a Era das Lendas que utilizavam o Poder Único e tinham uma função específica, ainda que o conhecimento do que muitos deles faziam tivesse se perdido com o tempo. Temendo o que a Ajah Negra pudesse fazer com tais objetos em seu poder, Nynaeve, Egwene e Elayne iniciam uma perseguição pelas treze, que ao que tudo indica se encontram em Tear.

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Apesar do que o título possa levar a crer, Rand tem pouco destaque no livro, aparecendo apenas nos primeiros capítulos e só voltando a ter uma relevância maior na parte final do livro, porém, ao retirar o protagonista do centro das atenções, acaba-se criando espaço para melhor explorar os outros personagens, como é o caso de Perrin, Nynaeve, Egwene e principalmente Mat, que é quem de fato acaba roubando a cena nesse terceiro volume. Todos esses citados acabam evoluindo bastante, compreendendo mais sobre suas habilidades e poderes, ainda que parte desse conhecimento tenha a ver com os perigos e efeitos colaterais dos mesmos. Essa dualidade encontrada em quase tudo é algo que permeia toda a história, e acrescenta mais ao próprio desenvolvimento dos personagens e da própria história, o poder pode tanto ser benéfico quando causar mal, é uma faca de dois gumes.

O livro segue com um inicio mais lento, com momentos mais leves e demorados entrecortados por capítulos mais movimentados, até chegar ao clímax da parte final onde adquire uma cadência mais acelerada e com um desfecho que te deixa louco para ler o próximo volume, bem como acontece com os volumes anteriores. Ainda que este seja o mais lento dentro os três primeiros volumes, isso não implica que o autor usou de informações ou passagens desnecessárias, não existem partes que poderiam ser limadas por não representar importância para a história e que travam a fluidez da história, percebe-se que muitas delas são importantes para o desenvolvimento da trama e dos personagens, afinal “A Roda do Tempo tece o Padrão das Eras, e as vidas são os fios que ela tece”.

O Dragão Renascido é um daqueles livros que te prendem pela sua mitologia e pela própria jornada e evolução dos personagens, porém é levemente inferior aos dois anteriores a meu ver, ainda que isso não signifique de forma alguma que ele é um livro ruim, passa bem longe disso até, porém me pareceu que foi quase uma preparação para um próximo volume arrebatador. Se A Ascensão da Sombra vai ser de fato um livro que vai cumprir com essas expectativas eu não sei, a julgar pela qualidade dos três primeiros volumes as chances são altíssimas, a única coisa que posso afirmar de certeza é que estou bem ansioso pra ler o próximo volume e que essa série já tem um lugar de destaque na minha lista de séries favoritas.

E muitos serão seus caminhos, e muitos saberão seu nome, pois muitas vezes ele renascerá entre nós, sob diversas formas, como foi e sempre será, tempo sem fim. Sua vinda será como a ponta afiada do arado, revirando e sulcando nossas vidas a começar  do ponto onde jazemos em silêncio. O destruidor de elos, o forjador de correntes. O fazedor de futuros, o desmoldador do destino.

 

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