Filmes ambientados na Idade Média

A Idade Média compreende o período entre os séculos V e XV, desde a queda do Império Romano do Ocidente até queda de Constantinopla, tomada pelo Império Otomano, ou, segundo alguns historiadores, com a viagem de Colombo ao continente americano. Apesar dos renascentistas e iluministas terem pregado que essa era uma “Idade das Trevas”, a realidade é bem diferente dessa visão preconceituosa referente ao período que se seguiu a cultura grego-romana, tão adorada por essa galera, mas o que importa mesmo para esse post é que esse período sangrento (como qualquer outro da História da humanidade, diga-se de passagem) é uma fonte inesgotável para uma miríade de histórias nas mais diferentes mídias; algumas delas muito boas, outras medianas e umas muito ruins também. Já que o cinema adora retratar esse período, e eu pessoalmente gosto bastante desse tipo de filme, resolvi partir para uma pequena lista de filmes dentro desse tema.

Não é uma lista dos melhores filmes, estejam avisados disso,

 

Cruzada (Kingdom of Heaven)

 

cruzadaDirigido por Ridley Scott e contatando com um elenco de peso com nomes como Orlando Bloom, Liam Neeson, Eva Green, Jeremy Irons, e também com Edward Norton (pra quem não sabe ele interpreta o rei Balduíno, o rei Leproso de Jerusalém), o filme é uma superprodução do ano de 2005. Vindo na pegada de filmes épicos depois do sucesso de Gladiador, filme que também foi dirigido pelo Ridley Scott, porém se este é uma unanimidade, Cruzada divide opiniões, e nem de longe alcançou a fama e o status de Gladiador, sendo um filme até bem criticado.

A história se passa em 1187 d.C., durante a retomada de Jerusalém pelos muçulmanos liderados pelo sultão Saladino, e acompanha Balian (Orlando Bloom), um ferreiro que descobre ser filho bastardo de Godfrey de Ibelin (Liam Neeson), um nobre que tinha terras em Jerusalém, que o convida a se juntar a ele na Terra Santa, Balian acaba aceitando, porém seu pai morre no caminho para Jerusalém e ele acaba herdando o título, as terras e as responsabilidades do pai. Uma vez na Terra Santa ele faz amizade com o rei Balduíno IV, se envolve com a princesa Sibila e arruma desavenças, principalmente com Guy de Lusignan.

O filme até umas boas lutas, ambientação muito boa, alguns bons personagens (principalmente os secundários), mas sofre com a questão do anacronismo de pensamento de alguns personagens, colocando-os como extremamente bonzinhos e com ideais que não faziam parte do pensamento da época, para que o público possa ter maior empatia para com o protagonista, embora isso seja até muito comum dos filmes de Hollywood, com heróis que possuem um tipo de pensamento bem à frente de seu tempo. Talvez o diretor e os roteiristas tentassem passar uma mensagem de tolerância religiosa, que, aliás, é necessária nos dias atuais, mas que para a época ficou um pouco estranha. Baseia-se em fatos históricos, mas tudo é muito modificado, principalmente para se encaixar dentro dessa visão.

 

Arn: O Cavaleiro Templário (Arn: Tempelriddaren)

 

Arn-O-Cavaleiro-TemplárioSe passando no mesmo período de Cruzada temos um filme sueco de 2007, Arn: O Cavaleiro Templário, que conta a história de Arn Magnussson, um nobre que fora criado em um monastério acaba se apaixonando por Cecilia, uma mulher prometida a outro, acaba tendo um filho com ela e a irmã da moça ainda acusa-o de ter se deitado com ela, o que acaba levando tanto Arn quanto sua amada Cecilia a serem excomungados, tendo de pagar 20 anos de penitência, ela como freira em um convento e ele como um cavaleiro templário enviado para lutar nas Cruzadas. Enquanto isso há também uma disputa política entre dois clãs rivais.

O filme é muito bom, embora não tenha tantas cenas de lutas, contudo compensa pela ambientação. A história aborda o passado de Arn e seu romance com Cecilia, passa pelo período em que ele luta na Terra Santa e ainda há um terceiro ato com ele voltando para casa e enfrentando mais alguns desafios que o aguardavam. Depois de ver o filme fiquei com uma vontade imensa de ler os livros do Jan Guillou que o inspiraram, porém é bom salientar que esse não é um daqueles filmes de ação pura e frenética, não esperem por esse tom mais acelerado.

 

O 13º Guerreiro (The 13th Warrior)

 

13oGuerreiroA história se passa na primeira metade de 900, com o poeta árabe Ahmed Ibn Fahdlan (Antonio Banderas) se envolvendo com uma mulher que não deveria, e acaba sendo enviado pelo califa em uma missão diplomática ao norte. Ahmed acaba se encontrando com um grupo de vikings que acampavam que estavam acampados no rio Volga, logo há o choque entre a cultura de ambos, e os costumes “bárbaros” do povo do norte intimidam, e por que não dizer, praticamente enoja os árabes, que são mais asseados e não veem com bons olhos a falta de higiene de seus anfitriões. Chega até o acampamento o pedido de ajuda do rei Rothgar, que enfrentava um inimigo lendário que aterrorizava até mesmo o povo viking, e através de uma vidente é escolhido um grupo de guerreiros que devem seguir até as terras do rei Rothgar para combater esse misterioso inimigo, desse grupo 12 seriam vikings, mas o 13 não poderia ser um deles, e assim Ahmed Ib Fahdlan acaba partindo para as terras frias do morte para lutar ao lado dos vikings contra essa ameaça lendária.

Baseado no livro “Devoradores de Mortos”, de Michael Crichton, o filme de 1999 foi um fracasso de bilheteria e muita gente acaba achando-o um filme um tanto quanto fraco, porém indo contra a opinião da maioria eu gosto dele, eu realmente acho um filme bem divertido e não acho que o Banderas comprometa alguma coisa no filme. Citando os pontos positivos há o comentado choque cultural, a caracterização dos personagens, os inimigos com aquele tom mais primitivo, além de alguns bons personagens, principalmente o Buliwyf e o Herger, que são os mais memoráveis.

É bom lembrar que o tanto o filme quanto o livro no qual se baseia tem a proposta de ser uma espécie de reinvenção do famoso poema épico Beowulf, inclusive tendo os alguns nomes inspirados nos do poema, então as similaridades são nítidas, o que a meu ver conta de maneira positiva para o filme.

 

Robin Hood

 

Robin_HoodApós anos lutando nas Cruzadas, o rei Ricardo Coração de Leão finalmente inicia seu caminho de volta para a Inglaterra, mas aproveita para atacar e saquear alguns castelos franceses que estavam em seu caminho. No exército do rei que lutou na Terra Santa e fazia seu caminho de volta para casa havia um tal de Robin Longstride, um arqueiro habilidoso que acaba falando o que não deveria para o rei e por isso acaba preso junto de mais alguns amigos, contudo eles conseguem fugir aproveitando-se da confusão e da pouca vigilância que havia sobre eles quando o rei acaba sendo morto em batalha. Durante a fuga Robin e seus companheiros acabam encontrando com o moribundo Sir Robert Locksley, um cavaleiro que estava levando a coroa do rei de volta à Inglaterra, até que cai em uma emboscada. Robert, antes de morrer, pede que Robin devolva a sua espada a seu pai em Nottingham. Robin, disfarçado de Robert Locksley, acaba entregando à coroa ao rei João I, e logo em seguida vai cumprir a promessa que fez no leito de morte do cavaleiro, e é quando ele e seus companheiros encontram com Sir Walter Loxley, o pai de Robert e com Marian (Cate Blanchett), a viúva do cavaleiro e interesse romântico de Robin no filme. Entrementes temos o plano do rei da França de invadir a Inglaterra e tomar o trono do recém-coroado rei João.

Dirigido por Ridley Scott e estrelado por Russell Crowe, com quem, aliás, o diretor gosta de trabalhar, vide Um Bom Ano (2006), O Gângster (2007), Rede de Mentiras (2008), além do clássico Gladiador (2000), a mais recente adaptação da história do fora da lei que roubava dos ricos para dar aos pobres busca dar um tom mais realista a obra, e não há essa coisa do ladrão romântico que ajudava o povo, aqui há o guerreiro que se transforma em fora da lei.

O filme tem boas cenas de luta, mas fica nisso e parece não engrenar, não dá aquela empolgação, apesar de algumas boas atuações, como a do ator Max von Sydow que interpreta o Sir Walter Loxley. Há também a falta de uma maior visibilidade para os outros personagens, os coadjuvantes quase não aparecem, Robin vira o herói faz-tudo e assume perfeitamente o papel de liderança na batalha contra os invasores. Apesar de ser um bom filme, não é memorável, na verdade é um desses blockbusters que você até acaba esquecendo, e que infelizmente, careciam de um roteiro melhor para ficarem imortalizados, como os épicos Coração Valente e o próprio Gladiador, ele faz mais parte daquela leva de filmes épicos pós-Gladiador que ficou mais na promessa, assim como outro do Ridley Scott citado nessa lista, o filme Cruzada. É um grandioso filme mediano, mas as cenas de batalha e a própria ambientação podem chamar a atenção de alguns, vale para ver de vez em quando, mas não chega a ser marcante.

 

Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (Robin Hood: Prince of Thieves)

 

robin_hood_prince_of_thievesApós ser capturado durante uma das Cruzadas, Robin de Locksley consegue finalmente se escapar de seus captores, mas sem não antes libertar o mouro Azeem (Morgan Freeman), que por lhe dever a vida faz um voto de seguir ao seu lado até conseguir lhe retribuir o favor, acompanhando-o em sua viagem de volta para a Inglaterra. Ao chegar à sua terra natal ele descobre que seu pai fora assassinado pelo xerife de Nottingham (Alan Rickman), com quem acaba entrando em conflito. Uma vez perseguido pelos asseclas do xerife ele e Azeem não veem opção se não se refugiar na floresta de Sherwood, onde acabam conhecem um bando de camponeses proscritos e se juntando a eles. Robin posteriormente os lidera contra os desmandos do xerife, roubando dos ricos para dar aos pobres.

Se o filme anterior preferiu dar um tom mais realístico, ou pelo menos mais crível, ao lendário fora da lei, este filme de 1991 segue o caminho oposto e prefere seguir a linha mais romântica sobre o nobre ladrão, focando mais no mito do que em ter um embasamento mais plausível. Robin ajuda os camponeses exilados na floresta a formar uma comunidade, os ensina a lutar, motiva-os a se erguer contra a tirania do xerife de Nottingham, mas mantém o lado mais “cavalheiresco” do personagem, ao contrário do Robin Hood de Crowe que fica preso a um lado mais belicoso.

Perdeu-se uma ótima oportunidade neste filme em explorar mais a questão da diferença entre as religiões, algo que o começo do filme promete e que daria uma bela diferenciação entre essa e as demais produções sobre Robin Hood, mas que só é mostrado de leve e acaba se diluindo e passando quase sem importância alguma, bem como poderiam ter dado mais destaque para o próprio Morgan Freeman que faz um dos personagens mais interessantes do filme, assim como o xerife interpretado pelo Alan Rickman que, apesar de ser bem exagerado, acaba por se encaixar perfeitamente no tom escolhido para essa historia. É aquele tipo de filme leve de aventura medieval, com bastante comédia, batalhas, romance, tudo sem uma maior violência gráfica ou um roteiro mais pretensioso, algo bem família que creio que quem cresceu assistindo os filmes da Sessão da Tarde fatalmente já acabou vendo ao menos uma parte dele.

 

O Guerreiro Genghis Khan (Mongol)

 

mongolSaindo um pouco do universo medieval europeu temos esse filme russo de 2007 que conta a história de um dos maiores conquistadores que o mundo já viu, um homem que ajudou a erguer aquele que se tornou um dos maiores impérios de todos os tempos (o primeiro em território contínuo e o segundo em território total), aquele que subjugou aqueles que subjugavam seu povo, Genghis Khan. Mas o filme não é sobre Genghis Khan, é sobre Temujin. Um filme sobre Temujin se transformando no grande Khan; é sobre o garoto se transformando em homem, o homem que vira líder, o líder se torna o pai da nação.

Acompanhamos Temujin desde a infância até a vida adulta, enfrentando desde cedo a morte a traição, duas constantes em sua vida, aprendendo a sobreviver sozinho, fazendo inimigos e aliados. Guerreando e liderando, perdendo e ganhando as batalhas, se tornando aquele que será capaz de unir as tribos em uma só nação, se tornando Genghis Khan, o Khan dos khans.

A vida dele por si só já é fascinante, é uma daquelas histórias reais que se usaria a palavra “cinematográfica” para descrevê-la, e o filme fica à altura da vida do temido líder mongol. Confesso que fui ver esse filme por conta da série de livros “O Conquistador” do escritor britânico Conn Iggulden, uma das minhas preferidas, que, aliás, já fiz uma resenha do primeiro livro aqui no blog. Tomado pelo clima de iurtas e batalhas épicas não tinha como não gostar do filme, e até se não já estive no clima logo entraria, as paisagens fantásticas da Mongólia, a caracterização e a bela fotografia do filme são grandes pontos positivos. De negativo talvez o ritmo do filme que pode ser cansativo para alguns e a questão da humanização de Gêngis, que o afasta um pouco da imagem de líder sanguinário, o que de fato ele era pela necessidade de ser ao viver uma vida como os mongóis levavam na época, mas essa visão mais “simpática” é um detalhe pequeno demais para se levar em conta. Vale lembrar também que o filme concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008.

 

Sangue e Honra (Ironclad)

 

ironcladEm 1215 os barões juntamente com os templários lutaram contra o então rei da Inglaterra, João I (Posteriormente conhecido como “João Sem-Terra”) e o forçaram a assinar a Magna Carta, um documento que limitaria os poderes absolutos da monarquia. No entanto o rei não acabou honrado o documento e pouco tempo depois contrata mercenários dinamarqueses alegando que se o ajudassem a retomar os poderes absolutos a Igreja ficaria de fora de suas terras. Ao saber que o rei João não estava honrando os termos da Magna Carta o barão William d’Aubigny reúne um grupo de homens para defender a posição do castelo de Rochester, um ponto crucial para a logística das tropas do rei e para ele conseguir alcançar Londres, fazendo da resistência do castelo algo fundamental para impedir o rei de retomar todos os seus poderes e privilégios. Contando com a liderança de Thomas Marshal, um cavaleiro templário, esses poucos homens tem de defender a sua posição resistindo ao cerco das tropas do rei enquanto aguardam a ajuda chegar, mesmo sem ter certeza que algum tipo de auxílio virá.

Passado durante a Primeira Guerra dos Barões, Sangue e Honra é um filme absurdamente divertido para quem quer ação e violência, já que há cenas bem brutais e cruas. Não é nada de espetacular, até por ter um orçamento modesto comparado aos grandes filmes de Hollywood, mas conta com um bom elenco, com nomes como James Purefoy interpretando Thomas Marshal, o personagem principal; Charles Dance como o Arcebispo de Canterbury (ou Cantuária, como é conhecida em português), e Paul Giamatti, que, aliás, rouba a cena como o rei inglês, além de também podermos ver alguns rostos conhecidos dentro desse tipo de produção, como o do ator Vladimir Kulich, que interpreta o líder dos mercenários dinamarqueses no filme e, provando que ele tem mesmo cara de guerreiro nórdico, também interpreta Buliwyf, o chefe dos vikings em O 13º Guerreiro, outro filme presente nessa lista. A única coisa que incomoda um pouco é o romance meio forçado, que é desnecessário, mas não chega a comprometer a história do filme. Em resumo, é um filme que entrega o que promete, e pra quem quer um filme com temática medieval mais violento, Sangue e Honra é o nome certo.

PS: Fujam da continuação de 2014, Sangue e Honra 2 (Ironclad: Battle for Blood), que é bem tosco e nem de longe tão divertido quando o primeiro filme.

 

Coração de Cavaleiro (A Knight’s Tale)

 

a_knights_taleQuando o mestre de três escudeiros morre, um deles, William, resolve assumir a sua armadura e competir disfarçado em um torneio. Acaba que ele leva jeito para as disputas na justa, e resolve junto com seus amigos a continuar a “carreira” de cavaleiro de torneios, competindo aonde tivesse um, ao invés de voltarem a vida de miséria como camponeses. Com a ajuda de um escritor que forja documentos dando a ele a falsa identidade de um nobre, para que William possa competir, já que se exigia uma comprovação de nobreza para poder participar das disputas. E assim Willian se torna Ulrich Von Liechtenstein e mantém a farsa com seus amigos para viver dos prêmios conquistados por ele nos torneios, isso até chamar a atenção dos nobres de verdade…

Realmente é um conto, uma fábula, com essa pegada medieval, mas tem um “quê” de moderno também. É um filme pra garotada, ou pra quem quer algo mais leve, mais simples, aquele típico filme de Sessão da Tarde, mas preferi incluí-lo na lista do que colocar o também filme de 2001 “Loucuras na Idade Média” (Black Knight) com o Martin Lawrence, entre esses dois eu acabo ficando com o “Coração de Cavaleiro” mesmo. O filme ainda conta com um bom elenco com nomes como Heath Ledger, Paul Bettany, James Purefoy e Mark Addy, mas é um filme que se baseia mais nos cavaleiros das histórias infantis do que aqueles que realmente existiram no período medieval. Tem romance, tem nobre invejoso, tem alívios cômicos, tem música do Queen, tem a história do plebeu que mostra que tem um coração nobre, etc. É um filme de Sessão da Tarde, como disse, mas para quem gosta de algo mais leve, pode ser uma boa pedida.

 

Coração Valente (Braveheart)

 

E para fechar a lista com chave ouro resolvi guardar o melhor para o final. O épico de 1995 dirigido por Mel Gibson conta a história do herói escocês William Wallace, ainda que não seja totalmente fiel.

coração-valenteApós a morte de seu pai, o jovem William Wallace (Mel Gibson) vai morar com seu tio Argyle (Brian Cox), um homem culto que o educa ensinando-o desde idiomas como o latim, até o uso da espada. Anos depois, já adulto, ele retorna para sua vila, onde pretende viver a vida em paz, quando reencontra Murron, por quem se apaixona e casa em segredo para que os ingleses não descobrissem e reivindicassem o direito da primae noctis, que ditava que um nobre inglês que estivesse no comando da região tinha o direito de deflorar a noiva na noite de núpcias dos casamentos realizados entre os camponeses dentro de seu território (embora historicamente não haja registro que tal lei teria existido de fato). Após Murron ser morta por conta de uma tentativa de estupro por parte de soldados e ingleses, e por ter reagido contra eles, Wallace se vinga, contando com a ajuda dos outros aldeãos que estavam cansados dos desmandos ingleses. O que era uma vingança pessoal se torna uma revolta contra a ocupação inglesa, angariando cada vez mais apoio de outros clãs que se uniam a ele pelo desejo de uma Escócia livre da tirania do rei inglês Edward Longshanks (Patrick McGoohan).

O filme foi vencedor de cinco Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção para o Mel Gibson, fora que tudo no filme agrada, como uma trilha sonora excelente e imersiva, uma bela fotografia, diálogos inspirados (e inspiradores!), cenas de batalhas bem sincronizadas e empolgantes, além dos personagens cativantes como os companheiros de batalha de Wallace, especialmente o velho porradeiro Campbell (James Cosmo); Stephen (David O’Hara), o extremamente divertido e insano irlandês que dizia falar com Deus, e Hamish (Brendan Gleeson), o melhor amigo de Wallace, além, é claro, do cruel e tirânico rei Edward Longshanks . Coração Valente não é apenas um dos meus filmes favoritos como é um dos poucos que me fazem parar o que estou fazendo para assisti-lo se estiver passando na televisão, é um dos grandes filmes do cinema e apesar de já ter mais de 20 anos não fica datado ou perde um pouco da sua qualidade, na verdade é um filme que fica até melhor com o passar dos anos e com as seguidas vezes que você acaba reassistindo.

Frases de efeito incríveis como “Seu coração é livre, tenha coragem para segui-lo” ou “Todos os homens morrem, mas nem todos os homens realmente vivem.”, um dos melhores discursos motivacionais do cinema, personagens marcantes, batalhas grandiosas, tudo isso faz o mais fanático fã de História deixa de lado os fatos e abraçar o mito e as licenças que o filme toma, e todos os pequenos detalhes negativos são esmagados pelos vários pontos positivos, provando que quando um filme é bom você acaba relevando os detalhes, afinal, “Quando a lenda vira um fato, publique-se a lenda.”.

 

 

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