As várias faces do Rei Arthur no cinema

Uma figura lendária do folclore britânico que até hoje é fonte de especulações sobre a existência de algum personagem histórico que teria sido a inspiração para lenda, mas ainda que até existam alguns indícios que apontem para esse lado, eles são bem contestáveis. Discutível  que seja a real existência do lendário rei herói que combateu os saxões, é um fato que o Rei Arthur seja uma figura que inspira as mais variadas histórias desde a Idade Média até os dias de hoje, permanecendo por séculos como uma das histórias mais populares do ocidente. Tendo dito isto, não é de se surpreender que ele tenha sido retratado no cinema nas mais diferentes abordagens possíveis, desde versões mais “realistas” até aquelas que se baseiam mais na lenda que se criou em torno do Rei Arthur e de seus cavaleiros, passando ainda até pela comédia, então, devido a popularidade desta história, resolvi relembrar algumas das mais conhecidas adaptações da história do Rei Arthur para as telonas.

 

Rei Arthur (King Arthur)

rei-arthurComecemos então pelo filme de 2004 que conta com Clive Owen e Keira Knightley no elenco. Uma versão que se propôs em tentar fazer do mito algo mais realista, baseando-se em indícios que indicariam a possibilidade de realmente ter havido um rei/general/comandante/chefe com o nome de Arthur ou Artorius, que teria vivido no final da ocupação romana na Britânia e que ajudou a combater os invasores saxões. O filme toma emprestado alguns elementos das lendas arturianas e coloca-os nesse contexto mais plausível dando uma explicação, ainda que seja fraca, para a existência dos cavaleiros da távola redonda, por exemplo, ou fazendo algo mais bacana como transformar o mago Merlin em um druida. Nesse filme utilizam a figura do Arthur como uma ponte entre os romanos e os bretões, usando a figura dele como aquele que pode manter a Britânia unida contra os novos invasores e também buscar um ponto de equilíbrio entre os povos que habitavam a ilha, ou seja, através dele que a Britânia se uniria em uma só nação.

Confesso que quando vi esse filme há muitos anos eu gostei dele, realmente gostei e não entendia como muita gente falava tão mal de “Rei Arthur”, mas a memória afetiva é traiçoeira (Highlander me mostrou bem isso), e aquilo que eu lembrava sobre o filme e o que ele é na verdade se mostraram duas coisas diferentes. Não sei se foi o fato de ter me tornado mais seletivo e mais crítico (até por que quando se é mais novo não costumamos prestar muita atenção aos detalhes e acabamos gostando de qualquer coisa), mas quando revi há poucos anos eu tomei um choque de realidade, o filme era muito aquém daquilo que eu me lembrava. Ainda tem umas cenas de lutas bacanas e alguns personagens secundários maneiros, como o Tristão interpretado pelo Mads Mikkelsen, mas em geral o filme é mediano, pendendo mais para o fraco. Vale por essa tentativa de ser algo mais realista, por alguns bons personagens e por algumas cenas de luta, porém aquilo que posso elogiar nesse filme não vai muito além disso e realmente fica a impressão de que se trabalhassem mais no roteiro teria sido um bom filme, mas a realidade é que, infelizmente, esse é um filme bem mais ou menos.

 

Lancelot, o Primeiro Cavaleiro (First Knight)

lancelotOutro filme que tenta se afastar um pouco dos elementos mais fantásticos das lendas, porém focando no período mais próximo da Baixa Idade Média, é o filme de 1995 com Sean Connery no papel do rei Arhtur e Richard Gere no papel de Lancelot. O filme, como o título em português deixa escancarado, é focado mais no Lancelot, principalmente no que se refere a sua relação com a rainha Guinevere do que no Rei Arthur em si. O filme ainda conta com Liam Cunningham no elenco, hoje bem mais conhecido por ser o Davos Seaworth de Game of Thrones. Vivia passando nas nas tardes da Globo e creio que a galera que costuma assistir a Sessão da Tarde há alguns anos deva conhece-lo, mas para quem ainda não o conhece fica aqui  a citação.

 

Excalibur

excaliburIndo na direção oposta temos o clássico filme de 1981 “Excalibur”, que procura seguir uma linha mais mística, mais romanceada, e baseada totalmente na lenda. O filme é bem antigo, com um ritmo mais lento, contudo é muito bom e arrisco até a dizer que talvez seja o melhor dos filmes sobre o Rei Arthur. Temos a espada na pedra e os cavaleiros da távola redonda, temos também a busca pelo Santo Graal; temos ainda Merlin, Morgana e a Dama do Lago. Mais uma vez lembrando que o filme é bem antigo e o ritmo é outro, totalmente diferente dos frenéticos filmes de hoje em dia e alguns efeitos especiais podem parecem muito datados, mas isso tudo não prejudica o filme, é só assisti-lo tendo consciência de quando ele foi feito, até mesmo por que roteiro, atuação e direção pesam mais do que esses detalhes. Para quem quer algo mais tradicional com cavaleiros em armaduras brilhantes e elementos mais fantásticos este é o filme indicado.

 

Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail)

monty-pythonNão poderia faltar na lista aquele que considero o melhor filme de comédia já feito. No filme de 1975 do célebre grupo de comédia britânico temos o Rei Arthur percorrendo o país em busca valorosos guerreiros para se juntar a ele em Camelot (que é um lugar idiota), quando ele e seus cavaleiros são mandados por Deus em uma busca pelo Santo Graal, o que fatalmente acaba levando-os a enfrentar gigantes de três cabeças, franceses zueiros, coelhos assassinos, Cavaleiros que dizem Ni, entre outros desafios absurdos. O filme é hilário e o tempo em nada o prejudica, digo mais, não acho que tenha um filme de comédia atual que consiga ser mais engraçado do que este. Um clássico do gênero e uma chance de ver o rei Arthur discutindo política com um camponês, afinal de contas uma hora alguém acabaria notando que mulheres estranhas em lagos distribuindo espadas não são um alicerce para um sistema de governo.

 

E aí, faltou algum filme na lista?

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4 comentários sobre “As várias faces do Rei Arthur no cinema

  1. A primeira vez que li algo mais aprodundado acerca do Rei Arthur foi em As Brumas de Avalon, e amei! Nunca assisti a nenhum dos filmes listados, mas me interessei por Excalibur. Ótimo post.

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    • Oi Babara, confesso que esse eu ainda não li, mas pelo que sei foca mais nos personagens femininos das lendas arturianas, não é mesmo? Só li mesmo o primeiro da trilogia do Cornwell, que também se diferencia das versões mais conhecidas da lenda, puxando para algo mais realístico. Tenho vontade de ler o mais clássico, o “A Morte de Artur”, Thomas Malory, que é um livro escrito na Idade Média e é mais tradicional, além de ter vontade de ler também o “Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda”, do Thomas Malory.

      O primeiro filme vc pode pular que não vai estar perdendo muita coisa, mas o Excalibur e o filme do Monty Python são ambos excelentes, vale muito a pena assisti-los. E obrigado! Fico feliz que tenha gostado do post.

      Curtido por 1 pessoa

      • Então, João, não tenho base para comparar com relação aos outros livros sobre o Rei Arthur, mas As Brumas de Avalon é contado a partir da visão das personagens femininas sim, mas o foco é geral! Eu gostei muito, me apaixonei pelo Arthur e pela lenda!
        Vou ver se coloco no Kindle a trilogia, o primeiro eu já tenho! Será que a linguagem em A Morte de Artur é muito difícil?

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        • Os outros tem focos diferentes, pelo que sei, até por conta do protagonista ser o Arthur, mas as histórias da Távola Redonda tem personagens que ganham destaques dependendo dos países onde essas histórias eram contadas, cada povo tinha algum preferido, mas a história em si provavelmente é uma mistureba de alguns mitos celtas com algumas coisas medievais, acho difícil ser inteiramente um ou outro e até mesmo ter um período específico onde possa ter existido mesmo um “Arthur”, a história é meio igual ao que aconteceu com a Hércules/Héracles na Grécia, com acréscimos posteriores e substituição de heróis de outras histórias por ele. O próprio Lancelot é um que veio depois das primeiras histórias serem escritas, ou seja, bem depois.

          O livro do Cornwell é bom, mas ele é meio arrastado, não me animei pra ler os outros por esse motivo, mas é um livro bacana. O A Morte de Artur, que se não me engano é o usado de base pro filme Excalibur, deve ser bem complicado por conta dos floreios e da linguagem da época, imagino que não deva ser muito fácil de ser lido, mas tb acredito que deva ter aquela pegada mais próxima do que contavam na IM que deve ser interessante.

          Curtido por 1 pessoa

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