Azincourt – Bernard Cornwell

Azincourt ou Agincourt, como os ingleses chamam, foi uma batalha ocorrida na Idade Média, mais precisamente em 25 de outubro de 1415 (dia de São Crispim), fazendo parte da famosa Guerra dos 100 anos. Foi uma das batalhas que os ingleses mais se orgulham, afinal eles deram uma surra nos franceses, e foi uma vitória improvável devido à superioridade numérica dos inimigos e pelas dificuldades enfrentadas pelos famintos e cansados soldados ingleses, mas principalmente porque a esmagadora vitória foi contra os franceses.  É praticamente o 7×1 dos deles contra os seus “rivais”, algo que pode ser comparado de leve com a rivalidade entre os brasileiros e os argentinos, porém entre os europeus é até maior devido aos constantes conflitos que ambos tiveram ao longo dos anos. Dito isto de introdução, vamos ao livro em si.

A história é narrada sob o ponto de vista de do arqueiro inglês Nicholas “Nick” Hook, que se torna um fora da lei após agredir um padre. Hook então acaba indo parar na França, mais precisamente na cidade de Soissons, servindo o duque de Borgonha como arqueiro, e nesta cidade durante um ataque foi onde Nicholas Hook conhece a cruel verdadeira face da guerra. Hook começa a ouvir vozes divinas na sua cabeça, assim como uma certa jovem francesa que viveu naquela época, Joana d’Arc, provavelmente uma brincadeira do autor com a padroeira da França, só que as vozes que Nick ouvia eram as de São Crispiniano e São Crispim, e os comandos dos santos ajudaram o arqueiro e fora da lei a salvar a vida de Melisande, uma jovem freira, e também a sua própria pele.

De volta à Inglaterra Nicholas acaba encontrando com o rei Henrique V e é colocado a serviço de Sir John Cornewaille e mais uma vez parte para a França, porém dessa vez junto com o exército do rei que resolvera tomar o trono francês. A partir daí Hook participa de batalhas marcantes e enfrenta os desafios da campanha que leva os soldados ao limite de suas forças e que por fim culmina na famosa batalha de Azincourt.

A batalha se tornou célebre e ficou eternizada por Shakespeare em sua obra “Henrique V”, também fica viva na imaginação dos leitores desse livro, porém focando um pouco mais nos soldados comuns, e não em uma importante figura histórica da nobreza, coisa que é até bem comum com o Bernard Cornwell, já que ele prefere descrever os acontecimentos na perspectiva de um personagem fictício, tendo uma visão um pouco mais distante daqueles cujos nomes entraram para a História.

Só pela batalha em si o livro já agradaria os fãs de História, ou de temas medievais, já que ela é por si só quase “cinematográfica”, não à toa praticamente se tornou quase um mito, uma daquelas histórias que os pais contam para os filhos cheios de admiração, e que ajudam a formar todo um orgulho nacional. Outro ponto forte são as descrições de lutas, mas é chover no molhado elogiar o autor por isso, pra quem não conhece é válido falar, mas pra quem já leu outros livros dele isso se torna algo quase banal de se dizer, mas vou engrossar o coro dos fãs e dizer que é sensacional a forma como ele faz isso, principalmente no que se refere ao uso dos ilustres arcos longos ingleses. Falando nisso, as próprias peculiaridades dos arqueiros ingleses, sobre como eles viviam, como faziam para cuidar de seus equipamentos, da própria confecção dos arcos e flechas, do modo de luta, de como eram usados em combate também chamam a atenção, aliás, toda a ambientação é digna de nota, desde os lugares até esses detalhes do cotidiano das pessoas da época nesse contexto da vida medieval nos campos de combate. Mas como ressalva, há sempre algo a se comentar que não tenha agradado tanto e no meu caso é em relação a fluidez da leitura, não sei se é só comigo, mas vejo isso em quase todos os livros do Cornwell que já li, sempre são um pouco arrastados, sobretudo no começo, mas depois a coisa engrena.

Muita gente acaba indicando “As crônicas de Artur” para quem ainda não leu nada do Bernard Cornwell, já que essa trilogia é considerada a sua melhor obra, porém não concordo com essa indicação aos novatos, acho que um livro único, com a história fechada como Azincourt é a melhor opção para quem quer descobrir o mundo de batalhas sujas e cruas do autor. É um livro muito bom e dá a ideia exata de como é o estilo do Cornwell.

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