A Águia Da Nona – Rosemary Sutcliff

A_Águia_da_NonaCerto dia me deparei com o filme A Legião Perdida/A Águia da Legião Perdida (The Eagle, no original) de 2011, e como fã de qualquer coisa que tenha o exército romano, a própria Roma Antiga ou batalhas épicas,  logo fui assisti-lo com muita expectativa e confesso que acabei gostando bastante, não é nada de excepcional, mas as cenas de luta são bem feitas e é um filme bem divertido de se ver. Após assisti-lo, fiquei sabendo que era inspirado em um livro chamado “A Águia da Nona”, escrito pela britânica Rosemary Sutcliff, e quando o vi em uma livraria comprei-o como se nunca mais fosse o ver novamente. Não sou lá tomado por impulsos na hora de comprar qualquer coisa, mas a temática e o filme já foram motivos mais do que suficientes para tê-lo.

O livro é diferente do filme, principalmente na parte final, e até gostei mais da versão cinematográfica por ser um pouco mais “sério”, já que o livro tem um tom mais leve, mas o livro também se provou ser uma leitura bem agradável. Algo a ser dito que é um livro com a história fechada, mas faz parte de uma série de oito livros, tendo sido publicados no Brasil apenas dois livros desses livros, o próprio “A Águia da Nona” e “O Ramo de Prata“.

No ano de 117 D.C. quatro mil soldados que formavam a Nona Legião Hispana marcham para as terras da Caledônia (como os romanos chamavam a Escócia) e desaparecem, e o seu estandarte, a Águia, se perde. O estandarte era a alma da legião, levar a Águia era levar a própria Roma aonde quer que marchassem e perdê-la era uma desgraça para todos os soldados, era perder a própria honra.

“Águia perdida, honra perdida; honra perdida, tudo se perde.”

 

Anos após a Nona desaparecer, Marcus Flávio Áquila, o filho de um oficial comandante de uma das coortes da Legião perdida, passa a servir como centurião na Bretanha atuando na Quarta Coorte Gaulesa da Segunda Legião, defendendo uma fortificação nos arredores da cidade bretã de Isca Dumnoniorum. Não demora muito e logo Marcus se vê em batalha contra uma rebelião de bretões e no meio do combate para salvar seus homens da investida de uma quadriga ele acaba gravemente ferido na perna, o que pôs fim aos seus dias servindo com as legiões romanas. Marcus vai então para a cidade de Calleva morar com o tio e recuperar-se o melhor possível, quando acaba salvando a vida de um gladiador na arena e o compra como seu escravo para auxiliá-lo nas atividades diárias enquanto sua perna não fica curada. Esca Mac Cunoval tinha tudo para odiar Marcus, afinal ele teve sua família morta e foi escravizado pelos romanos, porém a relação dos dois passa de escravo-senhor para amizade, já que ambos viram que apesar das diferenças de cultura e nascimento tinham muito em comum, e ele acaba se tornando algo como o “fiel escudeiro” de Marcus e o seu guia pelas terras ao norte.

A_Legiao_Perdida

Logo ficam sabendo de boatos sobre a Águia da Nona Legião que estaria em poder de alguma tribo ao norte, Marcus então, com  a esperança de poder saber o que de fato acontecera com seu pai e com a Nona Legião Hispana, decide se arriscar e verificar se os boatos são verdadeiros. Ele tem a ideia de viajar disfarçado como um curandeiro de estrada tratando de doenças oculares comuns a aquela região, se valendo de alguns unguentos que o ajudariam a ser totalmente convincente no disfarce, deste modo não só poderia viajar sem ser incomodado como também poderia ganhar a confiança dos habitantes das aldeias por onde passava e tentar ouvir deles algo que o levasse até a Águia. Vale mencionar que recuperar o estandarte poderia servir para limpar o nome da legião de seu pai, e poderiam até reconstituir a Nona Legião Hispana, embora a motivação de recuperá-la passava também pelo fato da própria Águia ser uma ameaça aos romanos, uma vez que em mãos inimigas ela poderia ser usada para estimular as tribos a se unirem contra o inimigo em comum, atacando as cidades e fortificações romanas com mais força e vontade.

“[…] entre nós a Águia é a própria vida da legião; enquanto estiver em mãos romanas, mesmo que só restem seis homens vivos, a legião propriamente dita ainda existe. Só quando a Águia se perde a legião morre. É por isso que a Nona nunca mais voltou a se formar.”

O livro publicado originalmente em 1954 é mais focado na aventura e não nas batalhas, até por ter uma pegada mais infanto-juvenil não espere algo nos moldes de outros livros do mesmo gênero como os do Bernard Cornwell e os do Conn Iggulden. Apesar dessa pegada mais leve eu gostei bastante do livro, ele tem boas descrições que facilmente alimentam à imaginação do leitor e é algo bem simples e agradável de se ser. Acho que é uma ótima leitura para os fãs de ficção histórica, principalmente pra quem não conhece nada do gênero e queira começar com algo mais simples e despretensioso, até por não ser um livro muito extenso ou com aquela leitura complicada, o que facilita muito a vida dos iniciantes dentro desse gênero viciante que é a ficção histórica.

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