Devoradores de Mortos – Michael Crichton

devoradores_de_mortosEscrito por Michael Crichton, famoso escritor e produtor americano, muito conhecido por ter escrito O Parque dos Dinossauros, O Mundo Perdido, Congo, Esfera, Linha do Tempo e O Enigma de Andrômeda, que assim como Devoradores de Mortos foram todos adaptados para o cinema, e sim, os dois primeiros livros dessa lista são os dois primeiros filmes da franquia Jurassic Park, ambos dirigidos por Steven Spielberg. A versão cinematográfica de Devoradores de Mortos ganhou outro nome, O 13º Guerreiro, com o Antônio Bandeiras no papel principal, e apesar de muita gente não gostar do filme, que foi um fracasso nas bilheterias, confesso que gosto dele, eu realmente acho um filme divertido e foi o principal motivo de ter lido esse livro.

A história se passa no século X, quando o califa de Bagdá envia Ahmad Ibn Fadlan como embaixador ao rei dos búlgaros, porém antes disso acontecer ele acaba sendo convocado para fazer parte de um grupo de vikings que estavam acampados no rio Volga que receberam o pedido de ajuda do rei Rothgar para partir em uma missão heroica e enfrentar algumas criaturas contra as quais seu povo batalhava nas terras mais ao norte. Ahmad Ibn Fadlan viaja então com 12 outros guerreiros escolhidos para essa missão rumo às terras do rei Rothgar, dentre eles Buliwyf, o líder do grupo e Herger, o único do grupo com quem consegue se comunicar usando o latim. Durante a viagem ele acaba se surpreendendo com as terras chuvosas, frias e cobertas de árvores, bem diferentes da sua terra natal, bem como a religião e os costumes dos nórdicos, muitas vezes não conseguindo compreender o comportamento daquele povo tão distinto do seu, e chegando ao seu destino logo é forçado a batalhar contra as criaturas da névoa negra, os “wendol”, que aterrorizavam o povo do norte.

O relato é tratado como real, e a narrativa é pontuada com notas de rodapé como se o autor estivesse de fato comentando a tradução do relato, mas antes de sair acreditando em tudo que se vê por aí é bom ressaltar que esse é um estilo que o autor resolver usar para contar a história, dando ares de maior credibilidade para que o leitor tenha uma maior imersão, mas que não é um relato histórico, pois é, a história de Buliwyf e os outros vikings lutando contra o wendol não é verídica. É um fato que os árabes mantiveram contato e até comerciaram com os povos nórdicos, e até onde sei parece que o Ahmad ibn Fadlan é um personagem histórico que realmente escreveu sobre os costumes dos Rus, um povo nórdico, mas são apenas os três primeiros capítulos que se baseiam em seus escritos, o resto é baseado no famoso poema épico Beowulf, então pelo amor de Deus, não acreditem que é um livro totalmente histórico e que essa história realmente aconteceu, já basta a galera que acredita firmemente no Dan Brown, não entrem nessa também! É uma reinvenção da clássica história de Beowulf, não à toa o nome Buliwyf se parece um pouco com Beowulf, o herói que chega pra resolver os problemas que o rei Hrothgar enfrentava com um monstro lendário em suas terras, já no romance de Crichton o rei que enfrentava problemas com o wendol se chama Rothgar.

O interessante do livro e o seu grande ponto alto é choque cultural, principalmente entre dois povos tão diferentes quanto os árabes e os povos do norte. A história é conta sob o ponto de vista de um árabe, na época Bagdá era um grande centro cultural, sendo um polo de comércio, fora que os árabes tinham grande conhecimento de filosofia, matemática, arquitetura, além do domínio de várias outras ciências que estavam até além do que era produzido na Europa e o intercâmbio cultural entre o Velho Continente beneficiou até mais os europeus do que a eles, uma pena que nossa visão histórica extremamente Eurocêntrica muitas vezes não nos permite ver o quanto era rica a cultura dos povos árabes, então é interessante ver como o civilizado Ahmad ibn Fadlan via os Rus, para ele eram de fato um povo bárbaro e bruto, ficando impressionado com os costumes do povo do norte com a falta de higiene, com o trato com os escravos, com a falta de pudor, com as esposas e companheiros, com a religião, com as armas, com a guerra, com a vida e como encaravam a morte, inclusive uma das partes mais interessantes é a visão do protagonista sobre os rituais funerários de um chefe.

O livro é bem curto, tem menos de 200 páginas e dá pra ler tranquilamente em um dia sem fazer esforço algum. A história não é nada de excepcional, mas é em divertida, e vale mais pela rotina dos nórdicos vista sob a perspectiva de um estrangeiro, já as batalhas, a questão dos wendol e a reinvenção da história de Beowulf ficam em segundo plano diante desse encontro entre dois povos que viam a vida e o mundo de maneira tão diferente.

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2 comentários sobre “Devoradores de Mortos – Michael Crichton

  1. Olá João
    Eu não sabia que 13º Guerreiro tinha um livro, eu achei o filme bem divertido e gostoso.
    Acho bem legal esses livros em que o autor tenta dar um ar realístico a obra, gosto muito de Dan Brown por isso, mas realmente tem gente que acredita demais nessas coisas, H.P. Lovecraft que o diga, até hoje tem gente que jura que o Necronomicon existe de verdade, se bem que algumas explicações são tão realísticas que a gente tem que lutar bravamente para não acreditar.

    Curtido por 1 pessoa

    • Olá, Daniele!
      Mudaram o nome para o filme, acho que para soar mais comercial, para vender como um filme de ação e aventura e não como um de terror, como o nome do livro dá a entender, e é um filme bacana mesmo, principlamente pelos personagens secundários. Esse é um daqueles que pouca gente sabe que há um livro sobre, eu mesmo só fui saber dele há alguns anos.
      O problema não é do autor em si, e a galera que não entende a proposta e compra como um relato verídico, não sabem separar realidade de ficção, mesmo que o livro seja alegadamente de ficção! É muito History Channel na educação dessas pessoas, isso não bem hahaha. Necronomicon, bem lembrado! Mas acho que nesse caso ganhou mais fama na cultura pop, já que ele virou uma referência para livros místicos sombrios, mas saber mesmo né? Vai que Cthulhu esteja sonhando, aguardando em R’lyeh…

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