Filhos do Éden: Anjos da Morte – Eduardo Spohr

Anjos_da_morteAnjos da Morte é o segundo volume da trilogia Filhos do Éden, escrita pelo Eduardo Spohr, dando continuidade aos eventos ocorridos em Herdeiros de Atlântida. O livro se divide entre duas linhas temporais separadas entre a história Denyel enquanto membro do esquadrão dos “anjos da morte”, atravessando o século XX, e a linha do presente com Kaira e o seu grupo, dando continuidade aos eventos ocorridos no livro anterior. Antes de qualquer coisa preciso dizer que essa divisão em nada afeta o ritmo da história, até por ser muito interessante acompanhar todos esses eventos históricos sob o ponto de vista do Denyel.

Com o adensamento do tecido da realidade, os malakins, anjos que estudavam o universo e a humanidade, já não conseguiam mais enxergar o mundo terreno do Sexto Céu, local onde se encontravam reclusos nos seus estudos. Para que pudessem continuar a estudar os humanos através das guerras eles solicitaram ao arcanjo Miguel que alguns anjos observassem e relatassem a eles tudo sobre esses embates humanos. Miguel então permite que alguns anjos exilados na Terra formassem um esquadrão conhecido como anjos da morte, onde esses anjos exilados passariam a se alistar nas tropas de diversas nações e acompanhassem os conflitos ocorridos no século XX, porém sem se destacar ou afetar o rumo das coisas. Ao viverem disfarçados como humanos, eles foram ficando cada vez mais “humanos”, absorvendo pequenas características, vícios, hábitos, enfim, todas as idiossincrasias que os terrenos possuem. Denyel era um desses anjos da morte.

Em paralelo a história de Denyel, continuamos acompanhando os acontecimentos que se seguem diretamente do livro anterior quando o próprio Denyel acaba caindo nas águas místicas do rio Oceanus após a queda da colônia atlante de Athea, vagando inconsciente por planos e dimensões. A ishim Kaira e o seu grupo, formado pelo querubim Urakin, e agora também por um novo personagem, o hashmalim (casta de anjos ligados à punição) Ismael, decidem partir em uma busca para encontrar Egnias, a Segunda Cidade, onde fica outro afluente do rio Oceanus, o que possibilitaria ao grupo a chance de conseguir resgatar o companheiro.

Confesso que como fã de História eu sou logo fisgado por esse conceito de viajar no tempo acompanhando acontecimentos mundiais através dos olhos de um personagem, então não preciso nem falar como esse livro já me ganhou logo de cara. E ele não me decepcionou quanto ao conteúdo. Um anjo guerreiro que participa das grandes guerras humanas para fazer registros celestes desses embates é um plot muito interessante, tanto pela possibilidade de colocar a fantasia dentro desse contexto real, algo que muitas vezes até anda junto com o outro, como o próprio caso da 2ª Grande Guerra Mundial onde os nazistas flertaram de fato com muito desse lado místico, ou mesmo pelo que a própria guerra causa no ser humano, já que é uma situação que coloca as pessoas em seu limite deixando tudo em maior evidência, desde o medo, a coragem, a crueldade, a bondade, o companheirismo, o sacrifício e deixar-se ser influenciado ou se libertar do pensamento da maioria para fazer o que considera ser o mais correto. Essas situações limites, que infelizmente ocorrem com frequência, são perfeitas para dentro do próprio contexto da história de entender a humanidade como ela é, e também ajuda a desenvolver o personagem, deixando-o até mais empático para o público, e de quebra até mesmo expande um pouco o universo dos livros. Vale ressaltar que pela maneira como isso é feito não fica cansativo, muito pelo contrário, você até quer ler mais sobre os anjos dentro de todos esses conflitos e com esse toque de fantasia do autor que permeia esses acontecimentos dentro dessa história. Falando nisso toda a parte referente a 2ª Grande Guerra Mundial é de cair o queixo, mas quanto a isso só posso dizer: Leiam o livro.

Destaque para os apêndices, como as já conhecidas castas angélicas, mas que é sempre bom relembrá-las, lista de personagens, linha do tempo, glossário, uma pequena nota histórica comparando a fantasia com o que é real de fato, e também uma lista de reprodução das músicas usadas no livro, que ajudam o leitor a entrar no clima dos períodos abordados no livro.

O livro também contém alguns mapas dos locais onde ocorreram algumas batalhas descritas no livro que, obviamente, tiveram um toque de ficção fantástica, já que dentro da história do livro elas também acabam por envolver mais do que o fator humano, puxando também para confrontos com contornos mais místicos. Vale lembrar que esses são combates onde o Denyel lutou. Mas voltando aos mapas, é algo totalmente válido para entender bem como se deram essas batalhas, como por exemplo, o mapa usado para ajudar a compreender o desembarque e a movimentação dos aliados no Dia D, e serve como uma forma de melhor visualizá-las e compreender a ação, como também para estimular o leitor a procurar saber um pouco mais das batalhas reais, desta vez sem os toques da ficção.

É bem melhor que o anterior, ouso dizer que é até melhor que A batalha do Apocalipse, mas que até por conta do meu gosto pessoal, foi o que mais me chamou a atenção e também é clara a evolução do Spohr como escritor. É um livro mais sombrio, mais denso, até pelo próprio tema de um anjo guerreiro que participa das grandes guerras para fins de registros celestes sobre esses embates humanos. Recomendo fortemente para quem gosta de fantasia, para aqueles que gostam de mitologia, para quem gosta de História, e obviamente para todos que gostam de uma boa história.

E que venha então Filhos do Éden: Paraíso Perdido!

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Um comentário sobre “Filhos do Éden: Anjos da Morte – Eduardo Spohr

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