Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida – Eduardo Spohr

herdeiros_de_atlantidaHerdeiros de Atlântida é primeiro livro da trilogia “Filhos do Éden”,  escrito pelo autor Eduardo Spohr, sendo seguido por “Anjos da Morte” e fechando com “Paraíso Perdido”. Não é tão épico quanto o livro anterior do autor que se passa no mesmo universo, o best seller A Batalha do Apocalipse”, mas também não deveria ser, o caminho mais acertado para esse spin-off justamente é o de não ter a pretensão de superar a magnitude dos eventos ocorridos em ABdA. Aliás, falando desse livro, é bom mencionar que não é necessário ter lido A Batalha do Apocalipse para entender Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida. Mas chega de introdução, comecemos então a resenha.

Urakin e Levih são dois anjos que possuem naturezas quase que opostas, com o ofanim Levih tendo um temperamento mais pacífico e conciliador, algo típico da sua casta, e Urakin, que apresenta os traços naturais dos querubins, os anjos guerreiros dentro da hierarquia angélica que estão sempre prontos para o combate. Ambos são mandados à Terra em uma missão para encontrar e levar de volta dois outros anjos que desapareceram na Haled -como é conhecido o plano físico, o nosso plano de existência terreno- há cerca de dois anos, sendo estes a arconte Kaira, uma ishim da província do fogo, e o seu guarda-costas Zarion, um querubim.

Levih e Urakin encontram Kaira na cidade de Santa Helena, porém não da forma como esperavam, Kaira teve a sua memória alterada e não tinha o menor conhecimento da sua verdadeira natureza angélica, vivendo os últimos dois anos como uma humana. Essa existência humana fora forjada por dois anjos que estavam do lado do Arcanjo Miguel, líder da “facção” oposta a qual Kaira pertencia, e a atacaram quando ela estava em uma missão no plano terreno. Há que se dizer que no paraíso se desenrolava uma Guerra Civil onde se enfrentavam as legiões fiéis ao Arcanjo Miguel e as legiões do Arcanjo Gabriel, que se revoltou contra as atitudes que seu irmão Miguel tomara contra a humanidade. Kaira, que faz parte das fileiras das tropas de Gabriel, foi enviada à Haled para investigar uma possível violação no armistício que os anjos haviam decretado, e exatamente por isso fora pega pelos partidários de Miguel. Eventualmente Kaira acaba sendo ferida em um combate e é levada por Urakin e Levih até Denyel, um querubum exilado que pode ajudá-la. A partir daí a aventura se desenrola com Kaira tentando compreender e controlar seus poderes, além de recuperar completamente a sua memória perdida para que possa enfim completar a sua missão.

O livro possuí vários clichês, algo que é absolutamente comum dentro da literatura fantástica com contornos mais épicos, e exatamente por ter sido inspirado em tantas referências que mergulham nesses clichês que eles transparecem no livro. Isso até pode ser um defeito pra quem não gosta, não percebe esse detalhe ou mesmo quem espera algo diferente, mas para quem está acostumado a consumir esse tipo de coisa em livros, filmes, desenhos animados, etc., não vai se importar ou até mesmo vai gostar, justamente por remeter a tantos produtos de entretenimento que já consumiram e/ou consomem. Se é algo positivo ou negativo vai depender do leitor.

Aos ufanistas de plantão, o fato de boa parte do livro se passar no Brasil pode ser algo que agrade, mas aos críticos que não conseguem considerar bem a ideia de um livro de fantasia se passando em terras tupiniquins, não precisam se desesperar e fazer um pré-julgamento baseado nesse preconceito, podem ficar mais tranquilos, é algo bem feito e não é gratuito só pra levantar a bandeira do nosso Brasil-sil-sil, tanto que a história poderia se passar em uma cidade qualquer. Santa Helena é algo que fica entre o genérico de uma cidade comum serrana com aquele “algo” familiar que muitos podem notar, principalmente pra quem é da região serrana do Rio de Janeiro, que é o meu caso, aliás. Não é de forma alguma forçado. Vale lembrar que depois com o avançar da trama os locais mudam, até mais pontos mais dentro do universo fantástico e menos dentro do mundo comum. Outro ponto dentro do tema “Brasil” a ser dito é sobre a publicação e o sucesso dos livros, que mostram que autores brasileiros podem escrever sobre fantasia ou outros estilos e serem bem sucedidos nessa empreitada. Mostra também uma quebra daquele paradigma que o brasileiro não gosta de ler, principalmente os mais jovens, que são o público alvo do livro.

Eu gosto de personagens que não são tão poderosos, intocáveis, acho que desse modo abre-se uma brecha maior para trabalhar com a personalidade deles, quanto mais longe de ser um “humano”, mais longe das emoções humanas o personagem ficará, e trabalhar a personalidade de anjos que vivem na Terra ou convivem com seres humanos, pegando os trejeitos, manias, idiossincrasias e defeitos dos seres terrenos é melhor assim. Desse modo os personagens são tem um desenvolvimento até maior e ganham mais carisma e empatia, como o exemplo dos  protagonistas Kaira e Denyel, e até mesmo com o ofanim Levih.

Algo que chamou minha atenção foram as descrições do mundo espiritual e das criaturas, sejam anjos, demônios ou deuses, principalmente com uma certa cena no início do livro que é de arrepiar de tão bem feita, e sinceramente, ainda espero um livro focado nas Guerras Etéreas.

Os apêndices no final ajudam bastante o leitor a se situar melhor e evitar ficar perdido no meio de tanta informação, com nomes e pequenas descrições dos personagens, das castas angélicas, de divisões celestes, linha do tempo, dimensões dos planos espirituais, etc.

A Batalha do Apocalipse é um livro mais denso, com muito mais flashbacks do que Herdeiros de Atlântida, e para quem não está habituado ou não conseguiu entrar no clima, pode dar aquela sensação de uma leitura mais arrastada, já Herdeiros de Atlântida é mais dinâmico, mais leve, mais fluído e ideal para começar a ler esse universo criado pelo Eduardo Spohr. Então para quem quer começar a ler uma low fantasy ambientada no Brasil, ouviu falar bem do autor e de seus livros, gosta do tema ou só ficou curioso mesmo essa é uma excelente dica.

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2 comentários sobre “Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida – Eduardo Spohr

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