Espinho de Prata (Saga do Mago Vol.3) – Raymond E. Feist

Espinho_de_Prata_Mago_Vol_3 (557x800)Quase um ano se passou desde o término da Guerra do Portal. A história volta-se agora para Krondor, onde Jimmy, “a Mão” -um garoto de 15 anos membro dos Zombadores, a Guilda de Ladrões- estava em mais uma das suas aventuras noturnas para cometer alguns furtos, quando acidentalmente acaba encontrando um membro dos Falcões Noturnos, a temida Guilda da Morte. Entre o medo de ser pego e a curiosidade, a última acaba falando mais alto e Jimmy acaba descobrindo que o alvo do assassino era o príncipe Arutha. Por conta da amizade que o ladrão de rua tinha com o príncipe, nascida em uma das aventuras no livro anterior, ele entra uma pequena luta que acaba frustrando o atentado contra o Príncipe de Krondor. Jimmy fica dividido entre o dever com os Zombadores, afinal ele ou qualquer outro do bando deveriam noticiar imediatamente qualquer atividade dos Falcões Noturnos, e entre a amizade por Arutha, já que o avisá-lo rapidamente seria vital para a segurança do príncipe. Jimmy acaba optando pela segunda opção e vai alertar Arutha sobre essa nova ameaça.

Após o aviso, Jimmy ainda ajuda Arutha a montar um ardil em uma taberna onde acabam capturando dois Falcões Negros vivos, o que era um grande feito, já que eles usavam anéis negros que continham veneno que ingeriam para que não fossem pegos com vida. Os dois sobreviventes foram levados para um interrogatório, porém uma força misteriosa acaba fazendo com que os prisioneiros, independente dos cuidados que estivessem recebendo, acabassem sucumbindo e morrendo. Isso seria um enorme problema não fosse ajuda da sacerdotisa de Lims-Kragma, a Deusa da Morte, que fez com o que os Falcões Noturnos pudessem responder e também acaba fazendo com que o interrogatório adote um clima bem sinistro e que os diálogos em uma cena em particular assumam tons à la “O Exorcista”. Acaba-se então descobrindo um pouco sobre esse inimigo que queria a cabeça de Arutha, e ele mostra-se ser uma força assombrosa que consegue usar uma espécie de necromancia para reviver os Falcões Negros, que acabavam até ficando mais fortes a cada pessoa que matavam.

Jimmy termina seus dias como Zombador e torna-se escudeiro em Krondor, e quando chega a data do casamento de Arutha com Anita, surge a oportunidade perfeita para os Falcões Noturnos matarem o Príncipe de Krondor. Jimmy novamente consegue impedir o assassinato de Arutha, porém a flecha envenenada que era endereçada a ele acaba atingindo Anita. O veneno usado na flecha é o tal do “Espinho de Prata” que dá nome ao livro, e era produzido a partir de uma planta de mesmo nome com o uso de feitiços. Inicia-se então uma busca pelo antídoto do veneno que pode levar os heróis do livro até o covil dos seus inimigos.

“Saber o que as coisas não são muitas vezes é tão importante quanto saber o que são.”

O protagonista do livro é Arutha, o atual Príncipe de Krondor, apesar dele ficar um pouco à sombra de Jimmy em alguns momentos, porém ainda continua sendo um ótimo personagem e sua escolha para ser o protagonista dessa aventura mostrou-se algo acertado. Aliás, o ponto forte do livro é sem dúvidas o ex-ladrão, Jimmy rouba a cena em todos os momentos que aparece, seja pela sua esperteza ou mesmo pelo humor que ele traz ao livro. Ele lembra um pouco Pug pela idade, porém Jimmy é um pouco mais maduro pela vida que viveu, ele possuí a malandragem das ruas, é esperto, atento, habilidoso e corajoso. Completam o time principal na busca pelo antídoto do Espinho de Prata: O menestrel Laurie, que se vê cada vez mais enrolado com Carline; Martin, que é sempre útil em uma busca que requer habilidade e pessoas de confiança e Gardan, o Capitão da Guarda da Casa Real do Príncipe.

“Ouça: só um louco não teria medo de enfrentar tudo o que nós já enfrentamos e o que podemos vir a enfrentar, porém o que importa não é se temos medo ou se não temos, mas como agimos. Meu pai disse uma vez que um herói é alguém que teve medo demais para fazer uso do bom senso e fugir, e que acabou conseguindo sobreviver a tudo.”

Os inimigos desta vez não são os tsurani, mas sim os moredhel, a irmandade da Senda das Trevas, os “elfos que seguiram um caminho mais sombrio”, segundo as palavras de seus parentes de Elvandar. Eles eram aqueles que foram mais próximos dos Senhores dos Dragões e possuem uma inclinação maior para a violência e a sede de poder. Aos poucos o que parecia ser apenas um atentando contra a vida do Príncipe de Krondor vai se revelando um grande perigo para Midkemia, um que pode até mesmo rivalizar com a invasão tsurani. O inimigo a se temer desta fez é Murmandamus, um misterioso moredhel, mas também começam a aparecer os contornos de um ser que é ainda mais poderoso e mais enigmático que o elfo sombrio, e que é o verdadeiro adversário a ser temido. A necessidade da morte do príncipe Arutha é para que se cumpra uma antiga profecia dos tempos das Guerras do Caos que assim diz: “Quando a Cruz de Fogo a noite iluminar e morto estiver o Senhor do Ocidente, o Poder conseguirá regressar.”. A profecia também indicaria que o Senhor do Ocidente é designado como a Ruína das Trevas, daí a importância de Arutha para se manter a paz em Midkemia.

Conforme a aventura avança somos apresentados a novos e interessantes personagens e o grupo acaba ficando maior com Roald, um mercenário experiente amigo de infância de Laurie e com Baru, o Caçador de Serpentes, um guerreiro hadadi possuidor de um forte senso de honra que está em uma “Busca de Sangue” atrás de Murad, o comandante das forças de Murmandamus, que liderava ataques contra o grupo de Arutha e que destruíra a vila de Baru, o que fez ambos unirem forças para derrotar esse inimigo em comum. Também se junta ao grupo, porém por pouco tempo, o elfo Galain, um antigo amigo de Martin.

Pug já não é mais o centro das atenções, porém ele ainda é um personagem de grande importância para a história. Inicialmente focado na construção da sua academia para magos em Midkemia, já tomando forma e reunindo algumas pessoas com talentos para o uso da magia, ele acaba descobrindo que o inimigo que estava atrás de Arutha poderia ter alguma ligação com o mundo dos tsuranis. Pug acaba por encontrar uma forma de voltar a Kelewan ao estudar alguns dos livros de Macros e se arrisca ao regressar ao mundo onde se tornou um mago mestre para que possa obter algumas respostas para enfrentar esse novo inimigo.

“A vida é complicada. Vivemos para descomplicá-la.”

O livro em si possui vários clichês, mas os utiliza bem. Você vê a todo o momento os arquétipos comuns de classes de RPG, como o mago, o bardo, o ranger, o ladrão, etc., sem falar nas criaturas, porém essa coisa de uma nação de outro planeta acaba dando um toque exótico ao enredo e a história acaba sendo bem construída, apesar da aventura parecer acelerar um pouco em algumas partes. Uma das coisas que melhorou muito em relação aos livros anteriores foram as cenas de batalha, e algumas das melhores partes do livro são em função das lutas, como a que se passa na Abadia de Ishap em Sarth e a luta contra os Falcões Noturnos mortos-vivos ainda na primeira parte do livro.

Espinho de Prata é bem mais sombrio que os seus antecessores, que tinham tons mais puxados para o infanto-juvenil que vão se perdendo a cada livro. A escrita melhora e a história ganha peso e vai fica mais interessante. Este é o melhor dentre esses três primeiros livros. Uma coisa a ser dita é que pode-se até ler esse livro sem antes ter lido os anteriores da série, a compreensão da história não é prejudicada de forma alguma, apenas vão se passar alguns pequenos detalhes, mas que não são vitais para o entendimento do que está ocorrendo ali, além disso, pra facilitar a vida dos leitores há um resumo da história até então para quem esqueceu algum detalhe ou até mesmo para fazer uma pequena apresentação de tudo a quem ainda não leu absolutamente nada dos predecessores. Ainda vale lembrar que A Saga do Mago (The RiftWar Saga, no original) é apenas a primeira parte de uma série de livros que compreende várias minisséries que acabam formando o chamado “RiftWar Cycle”, que já chega ter por volta de uns 30 livros.


Saga do Mago:

Mago – Aprendiz

Mago – Mestre

Espinho de Prata

As Trevas de Sethanon

Anúncios

3 comentários sobre “Espinho de Prata (Saga do Mago Vol.3) – Raymond E. Feist

  1. Pingback: Aprendiz (Saga do Mago Vol.1) – Raymond E. Feist | Foco de Resistência

  2. Pingback: Mestre (Saga do Mago Vol.2) – Raymond E. Feist | Foco de Resistência

  3. Pingback: As Trevas de Sethanon (Saga do Mago Vol.4) – Raymond E. Feist | Foco de Resistência

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s