O Silmarillion – J. R. R. Tolkien

silmarillionO Silmarillion foi a grande paixão de J. R. R. Tolkien, tendo começado o esboço antes do Hobbit e continuado por toda a sua vida, sendo publicado postumamente pelo seu filho Christopher Tolkien em 1977, portanto passados cinco anos da morte do professor. Vale ressaltar que o Christopher Tolkien não só publicou o livro, mas fez todo o trabalho de reunir o material, editá-lo e até preencher algumas lacunas para que os textos fizessem sentido, visto que eram partes separadas escritas em épocas diferentes com diversas versões, algumas com pequenas divergências entre as demais, outras menores, já outras com maiores detalhes, etc., e também não foram escritos seguindo uma lógica cronológica do início da criação até a Terceira Era,  a história sobre a queda de Gondolin, por exemplo, foi um dos primeiros textos escritos sobre a Terra-Média, então não só devemos ao J. R. R. Tolkien, mas também ao seu filho, Christopher Tolkien, por termos a oportunidade de ler essa grandiosa obra.

Basicamente é um livro de contos que atravessam a Primeira e a Segunda Era, chegando até a Terceira Era, porém existe um espaçamento grande entre uma história e outra que, se bobear, pode deixar o leitor meio confuso. Todo mundo fala que esse, dentre os livros mais conhecidos do Tolkien, é o mais denso e mais difícil de ler, mas não achei isso, penso até que pode ser tranquilo para outros leitores, embora dependa muito também do tipo de livro que esses leitores costumam ler.

O livro é dividido em cinco partes: A primeira é “Ainulindalë”, a música dos Ainur. É o relato da criação do Universo, conhecido como , por Ilúvatar, o Deus único e Todo Poderoso, junto com os Ainur, que são uma espécie de arcanjos criados por ele através do pensamento. A segunda parte é o “Valaquenta” é uma descrição dos Valar (Os poderes), que eram os Ainur que entraram em Eä no início dos tempos, e dos Maiar, que eram espíritos da mesma ordem dos Valar, porém inferiores, que os auxiliavam na tarefa de governar e proteger Arda. A terceira parte, e a maior de todas, é “Quenta Silmarillion”, que narra a história da criação das Silmarils, as três pedras preciosas que continham a luz das Árvores de Valinor, criadas pelo elfo Fëanor. As Silmarils por sua beleza despertavam o desejo e a cobiça nos corações de homens, elfos, anões e outras criaturas das trevas. As Silmarils foram a causa da destruição de reinos, de guerras, de divisões entre famílias, e da perdição de muitos. Além de ser a maior, é a mais épica, mais ligada a uma literatura de fantasia e também a mais interessante parte do livro. A quarta parte passasse já na Segunda Era e é chamada de “Akallabêth”, e fala da queda de Númenor.  A quinta e última parte, “Dos Anéis de Poder e da Terceira Era”, é uma narrativa breve sobre os acontecimentos que antecederam a Guerra do Anel, e um ainda mais breve resumo daquilo que foi apresentado em O Senhor dos Anéis.

O livro é mais poético, mais “mitológico”, percebe-se claramente as influências de Tolkien de mitos cristãos e nórdicos. Tudo é mais intenso, o heroísmo, os vilões, as batalhas, o poder das criaturas, os acontecimentos, não à toa brincam que O Silmarillion é o “Antigo Testamento da Terra-Média”. Os elfos ficam em um nível de poder absurdo se comparados aos de O Senhor dos Anéis, ou do Hobbit – que é um livro com um tom mais infantil e neste é de se esperar criaturas menos poderosas e imponentes-, aliás, não só os elfos, mas os homens e até os anões também, e isso evidencia algo que é notado em SdA, aquele clima de decadência, de grandes feitos que vão evanescendo com o tempo, daquelas grandes construções em ruínas, de povos de grande poder e sabedoria cujas ferramentas, como as armas encontradas, levam a admiração dos povos da Terra-Média pela habilidade dos que viveram antes deles. Vale lembrar também que uma boa parte da Terra-Média foi destruída pela colossal batalha final entre Melkor e os exércitos dos Valar na Guerra da Ira, que marcou o fim da Primeira Era.

É mais fluído que O Senhor dos Anéis, embora também seja denso em certas partes, sobretudo para quem não esteja acostumado com esses relatos mais mitológicos de criação recheados de um conteúdo poético e, obviamente se tratando de Tolkien é extremamente detalhado, e essas pessoas talvez não possam apreciar tanto, pois antes de tudo é um registro da criação e da História de Arda. O engraçado é que em O Hobbit, o protagonista é um hobbit, mas muito do foco do livro fica na companhia de anões de Thorin Escudo de Carvalho e na batalha dos cinco exércitos, em O Senhor dos Anéis com tantos humanos heroicos, magos poderosos, anões e elfos, o foco fica na dupla do hobbits, que devem levar o Um Anel até a Montanha da Perdição, já nesse livro apesar dos poderosos Valar, os elfos é que roubam a cena.

Um outro ponto que talvez algumas pessoas possam não gostar são as histórias com muitos personagens que participam de pequenas aventuras dentro do livro e logo saem de cena, que é um tipo de abordagem bem diferente de acompanhar aventuras mais longas dos personagens, alie isso com os inúmeros nomes de locais e artefatos e isso pode causar alguma confusão, mas ainda bem que há um glossário no fim do livro que facilita a vida dos leitores.

O Silmarillion, apesar de ser o meu favorito do Tolkien, não sei se é o mais indicado para quem quer iniciar suas viagens pela Terra-Média pela quantidade de informação que encerra, acho que antes de mais nada é preciso dar esse aviso aos incautos, mas para quem gosta do universo criado por Tolkien e para quem gosta de fantasia em geral, vale muito a pena ler esse livro, principalmente os excelentes capítulos “Ainulindalë”, “De Beren e Lúthien” e “De Túrin Turambar”.

Como curiosidade vale ouvir o álbum Nightfall in Middle-Earth do Blind Guardian, que é um disco conceitual que narra boa parte do Silmarillion. Vale lembrar que a banda é fã de Tolkien, compondo várias canções sobre o universo do professor, especialmente sobre O Senhor dos Anéis.

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7 comentários sobre “O Silmarillion – J. R. R. Tolkien

    • Tolkien é um dos autores que podemos dizer sem dúvida alguma que mais do que criaram um mundo, viveram a sua obra. A qualidade dos seus livros reside aí, ele não apenas para agradar os outros, fez também para agradar a si mesmo

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      • Desculpa escrevi errado no comentário *Tolkien é sem dúvidas um dos melhores autores da literatura fantástica. Um dos compiladores do Oxford, filólogo atuante criou um mundo e uma língua, se eu mal consigo aprender uma eu imagino criá-la deve ter dado um trabalho. Enfim, sou fã e análise sua trilogia em meu TCC, gosto de conversar com as poucas pessoas que curtem sua obra. Obrigada ☺

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