Aprendiz (Saga do Mago Vol.1) – Raymond E. Feist

mago-aprendiz (556x800)O livro foi publicado originalmente em 1982 e um detalhe importante a ser dito, antes de tudo, é sobre esse primeiro volume, Mago – Aprendiz, que foi publicado como volume único juntamente com a continuação deste, Mago – Mestre, porém em 1992 o autor Raymond E. Feist pode reeditar o seu livro acrescentando partes que originalmente seus editores acharam melhor serem cortadas e nessa reedição, conhecida como “Edição Preferida do Autor”, separaram o livro nestas duas partes e é justamente essa versão reeditada pelo autor que foi publicada aqui no Brasil pela editora Saída de Emergência.

Resumindo bem por alto, a história se passa no mundo de Midkemia, onde o jovem órfão Pug, o nosso protagonista, acaba sendo escolhido pelo mago Kulgan para ser o seu aprendiz ao perceber no garoto todo um potencial para a magia. Enquanto Pug aprende a ser um mago com Kulgan, e aos poucos vai ganhando o respeito dos membros da corte do castelo onde mora, começam a aparecer indícios de uma possível invasão de uma raça de outro mundo a Midkemia.

“- Resta-nos especular. Os ishapianos possuem pergaminhos nos templos. Consta que alguns são cópias de obras antigas, que, por sua vez, são cópias de pergaminhos ainda mais antigos. Dizem que os originais datam da época das Guerras do Caos, em uma linha ininterrupta. Neles fala-se de “outros planos” e “outras dimensões” e de conceitos para nós perdidos. Todavia, há algo claro. Falam de terras e de povos desconhecidos e sugerem que outrora a humanidade viajou para outros mundos ou para Midkemia a partir de outros mundos. Essas noções têm estado no centro do debate religioso há séculos e ninguém sabia dizer ao certo qual era a verdade aí presente… – Fez uma pausa, para em seguida acrescentar: – Até agora.”

É uma fantasia épica de um “mundo comum”, daqueles cheios de magos, elfos, anões, dragões, goblins, trolls, etc. É simples, não há praticamente nada de novo quanto a novas mudanças de paradigmas, mas talvez a sua principal qualidade resida em justamente ser simples, lembrando que foi publicada na década de 80 e o livro transmite muito da fantasia que tinha mais espaço na época, diferente da fantasia sombria que é mais explorada, e adorada, atualmente. Para colocarmos em melhores termos, digamos que está mais para O Hobbit do que para O Senhor dos Anéis, talvez essa seja a melhor forma de ilustrar para o leitor sobre o tom do livro, mas para os chatos de plantão, já vou deixar claro antes que me critiquem por falar isso, Feist não é igual ao Tolkien, apesar da clara influência do professor sobre o autor deste livro, falo apenas quanto ao tom usado no livro, que é mais puxado para o infanto-juvenil.

Um livro que seja diferente do que a pessoa espera pode levar a frustração e deixar a leitura menos divertida e proveitosa, além do fato da expectativa induzir o leitor a uma opinião passional sobre a obra, muito provavelmente negativa, que não necessariamente transmite a verdade. Ao ler Aprendiz, esperava algo menos infanto-juvenil, que até talvez seja pela escolha da visão do protagonista que é um adolescente, acho que depois o tom deve mudar nos outros livros com o crescimento do personagem principal, mas mesmo assim continuei lendo o livro e até gostei bastante pela escrita do Raymond E. Feist. Aproveitar esse tipo de livro, que muitas vezes não tem uma pegada a qual vocês esteja habituado, depende muito da forma como você vai encarar a leitura, e resolvi encarar a leitura sem problemas ou preconceitos, mas não vou enganar ninguém, é bem clichê : Jovem órfão que é mais do que aparenta, guarda dentro de si um grande poder oculto, sendo ajudado por um sábio mago bondoso que lhe toma como seu aprendiz. Apaixonado pela princesa do castelo, a típica “pobre menina rica”, e de início desperta a inveja de um certo pretendente de nascimento nobre da tal princesa. Aventuras com criaturas fantásticas aguardam o protagonista… Muito clichê mesmo, mas a depender do gosto de cada um e da forma que o autor utiliza esses artifícios, pode ser algo que vai incomodar ou até mesmo agradar ao leitor.

Uma crítica fica por conta da falta de aprofundamento nos personagens, que são bem rasos, principalmente quanto à inclinação moral deles que em sua maioria são nobres, valorosos, bondosos e heroicos, bem ao estilo de fantasia mais maniqueísta, até nobreza não se vê tão superior aos vassalos, até uma possível rivalidade logo é substituída por uma amizade. Em certos pontos o livro beira um clima dos filmes da Disney, e é inegável que o livro tenha um estilo mais infanto-juvenil, que acredito que agradaria bastante esse público, mas para os mais velhos dificilmente vai agradar tanto se esperarem algo diferente, principalmente se estiverem acostumados a leituras mais densas e sombrias. Porém nem tudo são críticas, gostei do Tomas, o amigo/irmão/brother/tamô junto do protagonista, do “Mestre de Caça” Martin do Arco e do mago Kulgan, esses tem carisma e demonstraram serem personagens bem interessantes, porém espero que o autor tenha trabalhado melhor neles, e nos outros personagens secundários, nos outros livros da série.

Confesso que gostei mais da primeira metade do livro, principalmente na viagem da companhia do Duque de Crydee para alertar alguns nobres ao leste sobre a possível invasão dos tsurani, o povo belicista que planejava invadir Midkemia através de portais dimensionais. Após as batalhas contra os tsurani de fato começarem já não gostei tanto, falta um pouco mais de emoção as batalhas, talvez por esse tom mais leve do livro elas não passaram um clima de tensão ou do medo da batalha, aliás, os temidos tsurani não se mostraram tão temíveis assim, e faltou ao autor colocá-los como realmente uma ameaça a ser temida.

É um livro recomendado para quem está um pouco desgastado depois de leituras mais densas, ou mesmo para aqueles que gostem de uma fantasia mais tradicional, daquelas bem preto-e-branco recheada de seres míticos. Não sei se devo me precipitar e já ir fazendo julgamentos sobre a obra, pois como disse no início da postagem esse livro e o próximo, Mago – Mestre, foram publicados originalmente como um livro só, e qualquer conclusão sobre a série seria superficial por ser baseada em uma metade. Enfim, achei um bom livro, apesar das suas falhas, acho que se eu tivesse lido quando mais novo provavelmente teria gostado bastante, porém agora, depois de tantos anos e vários livros lidos que fundamentam um maior senso crítico e também dos próprios gostos que mudam, eu já o achei simples demais, mas felizmente o tom do livro pode mudar com o crescimento do protagonista, e se assim for será uma série de livros muito boa para se acompanhar.


Saga do Mago:

Mago – Aprendiz

Mago – Mestre

Espinho de Prata

As Trevas de Sethanon

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3 comentários sobre “Aprendiz (Saga do Mago Vol.1) – Raymond E. Feist

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