Resenha : O Duelo dos Reis – Joe Abercrombie

“Mas você adora bancar o homem bom, não é? Sabe o que é pior do que um vilão? Um vilão que acha que é herói. Não há nada que um homem assim não faça, e sempre arranja uma desculpa.”

Duelo (566x800)Terceiro e último livro que fecha a boa trilogia “A primeira Lei”. Nesse livro a batalha contra Bethod no norte se intensifica e caminha pro seu desfecho, ao mesmo tempo em que Adua, a capital da União, é atacada pelo Império Gurkhense e a iminência de uma invasão, juntamente com acontecimentos inesperados, colocam todos em estado de alerta, e isso abre lacunas para que os jogos de poder, as conspirações e traições ocorram. Mas para falar dessa trilogia antes de qualquer coisa deve-se falar dos seus personagens, pois eles são o que mais levam o leitor a acompanhar os livros, e vejo nisso um ponto positivo pro autor Joe Abercrombie, principalmente pelas mudanças, sutis ou não, dos personagens, mas que não perderam suas essências no decorrer da história.

A evolução do Jezal é algo que foi realmente muito bem construído, ele muda de forma até bem natural devido às responsabilidades que acabam caindo no seu colo, e também daquelas que ele acaba tomando para si, e não há nada igual para fazer uma pessoa crescer de verdade do que justamente isso: responsabilidades. Deve ser dito também que apesar disso ele não deixa de ser quem sempre foi, apenas tenta ser alguém a altura da carga que ele deve suportar.

Glokta com seu já conhecido mundo cercado de dor, traição e malabarismos com facas, como ele mesmo diz no livro, tenta não ficar tão preso nos jogos de poder, que continuamente acaba envolvido, quase sempre contra a sua vontade. As formas com que ele consegue escapar desses problemas, mesmo algumas sendo questionáveis, afinal, como diria o como diria o Logen: “É preciso ser realista”, só aumentam a simpatia do leitor por esse personagem de pensamentos ácidos e com a vida muito azeda, o que é parte fundamental da composição do personagem e de todas as suas ações, ele e o seu destino são crias do que lhe aconteceu no passado. Certamente é um dos melhores personagens, não só da série, mas um dos melhores de todos que já vi nesse gênero.

Logen e Ferro pouco mudaram, mas também não haveria uma mudança brusca de comportamento deles sem que soasse como algo forçado, mas isso não deixa como personagens menos cativantes. Aliás, Logen no seu “modo berserker”, o nove sangrento, cada vez mais selvagem e incontrolável, e assim como Jezal ele tenta ser um homem melhor do que ele é, tentando mudar de vida, mas é difícil de fugir de si mesmo, de quem e do que se é realmente.

E nesse jogo faltou a peça mais importante, ou o jogador mais importante, Bayaz, que foge e muito do arquétipo de bondoso mago que serve como uma figura paternal que aconselha e toma boas decisões, na verdade a máxima “os fins justificam os meios” se aplica bem a filosofia dele. E não entrando em detalhes, mas a visão que alguns leitores possam ter dele pode mudar muito depois que se conhece melhor o “Primeiro dos magos”.

Inimigos por todos os lados, conspirações, batalhas nem um pouco gloriosas e belas, heróis (ou o mais próximo disso) também nem um pouco gloriosos, ditam o clima do livro, aliás, os defeitos mais do que as qualidades são os pontos mais explorados nos traços de personalidades dos personagens, o que é uma vantagem, afinal nossos defeitos apresentam mais facetas do que nossas qualidades. O realismo dessa fantasia reside nesses pontos. Bem, e pra quem gostou e não quer se despedir do universo do livro, o final aberto deixa espaço para continuações, e até onde sei existem outros livros no mesmo universo de “A primeira lei”. Só resta agora aguardar para que também sejam publicados no Brasil.

PS: Uma coisa interessante são os nomes dos livros que derivam de frases célebres, no caso deste livro deriva de uma frase que o “Rei Sol” Luís XIV mandou escrever nos seus canhões, “Ultima Ratio Regum”, que significa “O ultimo argumento dos reis”, só lembrando isso se aplica no original em inglês é “Last Argument of Kings”, aqui no Brasil acabou ficando “O Duelo dos Reis” provavelmente por ser, ou parecer, mais comercial e condizente com um título de livro de fantasia para o público nacional.


Trilogia “A Primeira Lei”:

O Poder da Espada

Antes da Forca

O Duelo dos Reis

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2 comentários sobre “Resenha : O Duelo dos Reis – Joe Abercrombie

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