Resenha do livro O Nome do Vento

CorrCpOnomeDovento_31.5mm.pdfPatrick Rothfuss, o autor do livro, realmente possui o dom da escrita, antes de mais nada é a primeira coisa que devo dizer, e talvez isso seja o que mais me chamou a atenção ao ler O Nome do Vento. Esse seu primeiro livro é leve e agradável de ler, o estilo dele de contar a história é realmente bem fluído e dinâmico, e se não tomar cuidado você pode acabar lendo ele todo de uma vez e nem se quer perceber que o dia foi passando, e perdendo a noção das horas e das páginas viradas.

O livro em si é um grande flashback, com um personagem conhecido como “o cronista” procurando uma lenda vida, um personagem cuja vida acabou se misturando com a ficção através das inúmeras histórias com diversas versões que o povo acaba contando. O cronista acaba por encontrar esse emblemático personagem em uma hospedaria conhecida como “Marco do Percurso”, pertencente a esse mesmo misterioso personagem, e consegue persuadi-lo para que lhe conte a sua história real com o argumento de registrá-la com fidelidade, mas o hospedeiro acaba impondo a condição de que para que a sua história seja contada serão necessários 3 dias para tal, e dessa forma, junto com o cronista, acompanhamos a vida de Kvothe. Vale a pena dizer que cada livro é referente a um dia em que Kvothe conta sua vida ao cronista, nesse primeiro volume ele fala de sua infância e das suas dificuldades até chegar na “Universidade” e de suas primeiras aventuras por lá.

Kvothe é um personagem que tem muitas habilidades, habilidades essas que nos livros de fantasia, em geral, são vistas divididas entre personagens de algum grupo, como o ladrão malandro que teve a vida difícil, o bardo que consegue tocar o coração das pessoas com suas canções ou o bravo guerreiro, mas todos esses aspectos nesse livro são colocados no Kvothe, isso poderia dar muito errado e torná-lo chato com o peso de todas essas características, mas isso não acontece. O fato de ele aprender tudo com relativa facilidade e o seu orgulho também poderiam, mas também não deixam o personagem irritante de alguma forma, o orgulho não é algo exacerbado, é colocado na medida certa. O personagem é carismático o bastante pra suportar a responsabilidade das inúmeras aptidões, e suas atitudes são compreensíveis, pois o seu ponto de vista e as situações que o levam a tomar essas atitudes são muito bem ilustradas. O personagem foi muito bem construído, em resumo.

Gosto bastante quando o autor desenvolve seu personagem desde a infância, moldando aos poucos o caráter e com isso dando ao leitor uma visão mais clara de como ele acaba por tomar certas decisões em determinadas situações, isso ajuda muito o leitor a empatizar com o personagem. É importante frisar que são abordados certos aspectos que geralmente são um pouco esquecidos em outros livros para que se possa dar um maior dinamismo a história, como a questão do personagem ter um tempo para curar suas feridas emocionais mais profundas, vivendo em um estado de um “semi-torpor”, não se atendo a um sonho, que no início é sempre tolo, e indo com tudo para realizá-lo não importando o momento, mas ao invés disso se ater a sua condição presente e fazer o possível com o que se tem para sobreviver as dificuldades momentâneas para só então ir atrás do que almeja. Essa “praticidade” do Kvothe de ter que lidar com os problemas presentes, do que se está passando, é algo que gostei muito e dá um toque mais imersivo e até mesmo mais crível, no sentido de contar uma história seguindo uma linearidade mais próxima do que se costuma ouvir de uma história real.

Uma coisa que me surpreendeu positivamente foram os personagens secundários que são vistos muito rapidamente durante o livro, e o que mais me chamou a atenção em relação a eles é que são bem humanizados, alguns de caráter ruim, que atualmente são os mais explorados nos livros, mas também personagens muito bondosos que acabam ajudando, nem que seja apenas um pouco, o protagonista na sua jornada.

Apesar dos elogios o livro fica com um clima de apresentação, quase como se o Kvothe se preparasse para uma grande apresentação com sua trupe, os Edena Ruh, mas que prepara bem o público para o próximo. Certamente eleva as expectativas para “O temor do sábio”, sequência de “O nome do vento”, mas saber se essas expectativas serão superadas só lendo e acompanhando o segundo dia da narrativa de Kvothe sobre sua vida.


A Crônica do Matador do Rei:

Primeiro Dia: O Nome do Vento

Segundo Dia: O Temor do Sábio

Extra: A Música do Silêncio

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3 comentários sobre “Resenha do livro O Nome do Vento

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